Casos relacionados à violência de gênero pululam hoje no noticiário. A visibilidade alcançada pelo tema levou décadas e, ao longo desse tempo, milhares de mulheres pagaram um alto preço por isso – muitas delas com as próprias vidas. Tais episódios são bem conhecidos por Tatiana Queiroz. Delegada que, por décadas, chefiou as 38 (isso mesmo) Delegacias de Apoio à Mulher (DEAM) do estado do Rio de Janeiro, a agente da Lei conhece os mais variados relatos relacionados tanto a abusos quanto a casos de violência, em maior e menor grau.
— Fui uma adolescente que passou por muito bullying na escola. E resolvi, por isso, ser uma agente de segurança, não necessariamente de Polícia, mas de Justiça. E o cargo com que mais tive afinidade foi justo o de policial – explica a delegada ao NEW MAG, reiterando ainda: — O policial não tem uma rotina específica e pode trabalhar em diferentes frentes, que vão da investigação à prisão, sobretudo a prisão in loco ou em flagrante, quando você vê o fato acontecendo. Então, essa foi a função a que mais meu estilo de vida se adequou. Não tive plano B.
Não até pouco tempo. Disposta a compartilhar das próprias vivências na profissão, a profissional abriu uma outra frente de trabalho. Ela está à frente do podcast “Delegada dá o Papo”, no qual temas relacionados à violência de gênero são as tônicas de muitas das pautas. E a partir desta terça (23), ela galgará mais um passo em relação a esta nova vertente profissional.
Tatiana comanda um bate-papo ao vivo com outras mulheres de responsa. O Entre elas surge como mais uma frente para que ela e suas convidadas debatam temas relacionados à liderança, política e… comunicação. Isso mesmo. A delegada saúda o fato de as notícias relacionadas à violência de gênero terem mais destaque hoje na imprensa, mas reconhece que isso tardou a acontecer. Esta bandeira foi, aliás, uma das levantadas por ela, como recorda:
— Um trabalho que estava no escopo da Secretaria da Mulher era o da capacitação de jornalistas na abordagem dos crimes contra mulheres. O intuito seria o de, em primeiro lugar, dar visibilidade a esses casos de violência e também fazer com que os jornalistas escrevessem com mais conhecimento sobre a questão, o que nem sempre acontece.
No encontro desta terça, no Hotel Yoo2, Rio de Janeiro, a mediadora terá entre suas convidadas a jornalista Renata Araújo Castelo Branco, editora da plataforma de viagens You Must Go!, e Priscila Seixas, pós-doutora em Mídia e presidente do Instituto Burburinho Cultura. O plano é o de promover o que a anfitriã chama de “uma autêntica roda de conversa”.
— Preparamos um debate saudável, uma verdadeira roda de conversa onde todas as presentes terão voz para colocarem o que pensam. E não somente as convidadas, mas também as mulheres da plateia – arremata.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Lucas Lussac (imagem)





