Em tempos de harmonização facial, a popularização dos procedimentos injetáveis e das técnicas menos invasivas mudou a forma como muitas pessoas cuidam da aparência. No entanto, para determinados casos, a cirurgia plástica continua sendo a alternativa mais indicada. Para André Barbosa, cirurgião plástico e CEO do Grupo Karla Assed, a escolha depende da necessidade do paciente.
— A primeira coisa é entender a indicação. Quando se percebe que o paciente precisa de algo além de procedimentos menos invasivos, aí a cirurgia passa a ser uma opção — explica o médico em entrevista ao NEW MAG.
Segundo André, os lasers e outros tratamentos dermatológicos ajudam a retardar o envelhecimento. Atualmente, porém, especialmente a partir dos 50 anos, a procura por intervenções cirúrgicas mais sutis, como a de Mini Lifting, tem crescido.
A perda rápida de peso provocada pelo uso de canetas emagrecedoras também passou a gerar novas demandas nos consultórios, já que a redução drástica de gordura, sobretudo no rosto, torna a flacidez mais evidente.
— Quando o rosto emagrece muito, o paciente pode ficar com bastante flacidez. Operei recentemente uma paciente de 38 anos que perdeu cerca de 75 quilos. Ela tinha muita pele no rosto. Nesse caso, somente laser ou bioestimulador não conseguiriam corrigir toda a flacidez que ela apresentava.
Para o cirurgião, a resposta nem sempre está em escolher entre cirurgia ou tratamentos estéticos. A integração entre diferentes áreas potencializa os resultados e a manutenção das intervenções, como ele conta:
— O ideal é sempre pensar em associação. Dermatologia e cirurgia plástica se complementam. O que a dermatologia não consegue fazer, a cirurgia consegue, e vice-versa.
Essa sinergia reflete uma mudança no perfil dos pacientes, que buscam menos transformações artificiais e valorizam mais suas características próprias.
— Cada vez mais buscamos resultados naturais, nada que pareça que você fez alguma coisa. O nosso conceito aqui é muito voltado para saúde e bem-estar. Não queremos que pareça que você fez a boca ou que fez um lifting. É se manter bem, de acordo com os seus traços, melhorando o que for possível.
O médico faz um alerta contra os excessos estéticos e fala sobre o cuidado para evitar o semblante excessivamente preenchido e inchado:
— Nosso conceito é sempre “menos é mais”. É claro que podemos colocar volume, mas o mais suave possível. Hoje você vê muitos rostos muito inchados, o chamado pillow face, aquela aparência de rosto cheio, como se fosse uma almofada. Nós fugimos completamente disso.
A adesão do público masculino também avançou. Além das opções injetáveis e de sustentação, as cirurgias palpebrais lideram as preferências desse perfil de paciente.
— Eles procuram muita pálpebra, muita cirurgia de pálpebra. Também procuram botox e tratamentos com fios de sustentação. Nós temos também implante capilar, que é feito pela médica Renata Sampaio, da nossa equipe, tanto em homens quanto em mulheres. Temos muitas mulheres também com alopecia — conta.
Em meio ao uso constante de filtros nas redes sociais, outro desafio da prática médica é alinhar a expectativa do paciente à realidade do próprio corpo. Para André, a transparência na consulta é indispensável.
— É muito uma questão de honestidade. Honestidade em indicar o que realmente é possível fazer e mostrar a realidade. Mostro o pré-operatório e, a partir dele, alinho a expectativa do paciente com aquilo que eu realmente consigo oferecer.
Para o especialista, o diálogo que antecede a cirurgia é tão determinante quanto a execução técnica. Esse alinhamento permite compreender os anseios do paciente e estabelecer limites claros para alcançar um resultado satisfatório.
— É quase uma psicologia durante a consulta. Ter paciência, conversar com calma, escutar bastante o paciente e entender como ele se enxerga — conclui.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Pamela Miranda (imagem)





