Um homem de teatro

setembro 2, 2026

O corpo de Gracindo Júnior, que morreu aos 83 anos, será cremado em cerimônia reservada a amigos e familiares no Rio de Janeiro

O ano era o de 1977. Marília Pêra (1945-2015) e Gracindo Júnior voltavam a trabalhar juntos no teatro – e num espetáculo revolucionário para a época. Em “O exercício”, eles viviam um casal de atores `as voltas com a preparação de um espetáculo e em meio a uma crise conjugal. E, para dar forma àquele meta-teatro, a dupla escalou o bailarino e coreógrafo Klauss Vianna (1928-1992). E a escolha não poderia ter sido mais que assertiva. Nos minutos finais da encenação, Marília e Gracindo despiam-se e davam juntos suas derradeiras falas: “Klauss, estamos prontos”. À sala seguia-se um black-out interrompido por aplausos efusivos.

Naquele ano de 1977, Gracindo já estava pronto, e podemos viver que sua preparação começou no berço. Filho de Paulo Gracindo (1911-1995), lenda dos palcos e da TV, Epaminondas Xavier Gracindo estava fadado a ser o Homem de Teatro que de fato foi. O ator e diretor faleceu na noite da última terça-feira (1º de setembro), aos 83 anos. O corpo do artista será velado na tarde desta quinta-feira (03), no Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde será cremado em cerimônia reservada à familiares e amigos às 14h10. A causa da morte do ator não foi divulgada.

Marília e Gracindo voltariam a trabalhar juntos nos palcos 22 anos depois. O reencontro deu-se em 1999, com “O altar do incenso”, de Wilson Sayão. Na trama, eles viviam novamente um casal, às voltas desta vez com os dilemas de uma união de mais de 30 anos. O cenário trazia um retrato deles jovens, feito na época em que trabalharam juntos pela primeira vez, em “Onde canta o sabiá” (1966). Se o final de “O exercício era arrebatador”, em “O altar do incenso”, Marília e Grcindo terminavam o espetáculo amarrados um ao outro e ao som de “Valsinha”, de Chico Buarque.

Marília foi apenas uma dentre os grandes parceiros de cena que Gracindo encontrou ao longo de uma carreira iniciada no início dos anos 1960 com “A escada”, peça de Oswald de Andrade (1890-1954). O teatro era a verdadeira casa de Gracindo Júnior. E, naquele ambiente, ele escreveu uma trajetória de excelentes serviços. Se não estava exatamente sob os holofotes, atuava como diretor. E, como tal, trabalhou em produções nas quais extraiu o melhor de seus colegas. E um exemplo disso está em “Num lago dourado”, em que Gracindo dirigiu Nathalia Timberg e teve oportunidade de dirigir Paulo Gracindo, seu pai. A cena em que Paulo fala ao telefone (sem, na verdade, falar com ninguém) mostrava o quão fina era a sintonia entre pai e filho.

Esta pauta está sujeita a atualizações

MAIS LIDAS

Posts recentes

Sintonia fina

Especialistas no segmento de luxo debatem o novo normal no consumo em evento no Rio de Janeiro

Diversão garantida

Ingrid Guimarães e Mônica Martelli reúnem familiares e personalidades em lançamento de filme no Rio de Janeiro

Efeméride celebrada

Rosália Milsztajn recebe homenagem em razão dos 50 anos de sua formatura na Faculdade de Medicina da UFRJ