Marcos Pitombo celebra 20 anos de carreira onde mais gosta: no teatro. Conhecido do grande público por seus trabalhos na televisão, o ator agora se dedica a “Poemas”, espetáculo que mergulha em temas como memória, ansiedade, afeto, esperança e os encontros que ajudam a moldar a trajetória de cada pessoa.
Com texto de Gabriel Chalita e direção de Duda Maia, a peça estreou neste fim de semana, no Teatro Fashion Mall, em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro. Estrelada por Pitombo e por André Torquato, a montagem acompanha dois personagens em busca de um poema capaz de “salvar o mundo”, metáfora que conduz reflexões sobre humanidade, identidade e a importância dos vínculos afetivos.
— Não acredito que exista uma única palavra ou resposta capaz de transformar tudo, mas acredito profundamente no poder da arte, da escuta e da sensibilidade para nos reconectar com aquilo que nos torna humanos. Esse poema representa tudo aquilo que nos movimenta na vida, que alimenta nossas buscas e ajuda a construir quem somos — afirma o ator ao NEW MAG.
Na sua visão, o espetáculo surge em um momento em que as pessoas parecem cada vez mais conectadas à informação e, ao mesmo tempo, mais distantes umas das outras:
— Vivemos um tempo muito acelerado. A peça propõe uma pausa. Ela nos convida a olhar para dentro, a reconhecer nossas fragilidades, nossas faltas e nossos desejos.
Marcos também destaca a parceria construída em cena com André Torquato, fruto de um processo criativo marcado pela escuta e pela troca constante.
— Existe uma troca muito verdadeira entre nós. O período de criação ao lado da Duda Maia foi muito rico, e essa sintonia que aparece no corpo, na voz e na relação entre os personagens nasceu desse encontro — pontua.
Os temas abordados pela montagem também dialogam diretamente com o momento atual vivido pelo ator:
— Hoje me interessa menos oferecer respostas e mais fazer perguntas. Me interessa compreender as contradições humanas, acolher as vulnerabilidades e reconhecer que nem sempre precisamos ser fortes o tempo todo. A peça diz que é das faltas que nascem as possibilidades dos novos poemas. Gosto muito dessa ideia. Vivemos tentando preencher ausências e apagar dores, quando muitas vezes são justamente essas faltas que nos impulsionam.
O projeto também carrega um significado especial por ter surgido de um desejo antigo do ator de trabalhar com Gabriel Chalita.
— Sempre admirei a escrita do Gabriel. Quando me aproximei dos 20 anos de carreira, senti vontade de encontrar um projeto que dialogasse com esse momento da minha trajetória. De certa forma, “Poemas” começou a nascer muito antes dos ensaios — conta.
Já sob a direção de Duda Maia, o espetáculo ganhou novas camadas de expressão. Além da palavra, o trabalho investe fortemente no movimento e na fisicalidade dos atores:
— A Duda tem uma capacidade admirável de transformar palavras em movimento. O corpo também conta essa história. De certa forma, ele dança esses poemas em cena. Eu também canto no espetáculo, o que representou um desafio muito especial para mim.
Mesmo celebrando a fase atual no teatro, Marcos não pretende abandonar o audiovisual. O ator afirma que continua aberto a projetos na televisão, no cinema e nas plataformas de streaming.
— Nunca fiz muita distinção entre teatro, televisão, cinema ou streaming. O que realmente me move são os personagens, as histórias e a possibilidade de me conectar com o público através de trabalhos que provoquem reflexão, emoção ou identificação.
Ele lembra que recentemente transitou entre produções bastante diferentes, como “Os farofeiros 2” e “Jardim dos girassóis”, experiência que reforçou sua vontade de seguir explorando caminhos diversos.
— O que mais me interessa hoje é continuar encontrando projetos que me desafiem, que me façam crescer como artista e que tenham algo relevante a comunicar. Tenho vontade de seguir transitando entre todas essas linguagens e acredito que novidades devem surgir em breve — arremata.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e reprodução / Internet (imagem)





