Pedro Wagner tinha 18 anos quando ouviu de uma amiga o vaticínio: “Você vai interpretar algum dia o Ferreira Gullar”. O comentário estava pautado na semelhança gritante ente o então estudante e o poeta. Pois, 26 anos depois, a tal profecia está mais próxima de se tornar realidade. Pedro vai interpretar o escritor no cinema.
O ator, hoje com 44 anos, vai estrelar “Rabo de foguete”. A cinebiografia é inspirada no livro homônimo no qual Gullar rememora o tempo em que, perseguido pela Ditadura Militar, viveu clandestino no Rio de Janeiro e, posteriormente, exilou-se, primeiramente no Chile e, em seguida, na Argentina. Foi neste país, aliás, onde escreveu uma de suas mais célebres obras: o “Poema sujo”. O texto, gravado numa fita K-7, foi trazido pelo também poeta Vinicius de Moraes (1913-1980).
E, na noite da última segunda-feira (27), o ator conheceu duas personagens fundamentais para ele se aproximar do papel que interpretará. São elas a poeta Claudia Ahimsa, viúva do escritor, e Íris Ferreira, primogênita dentre as netas do poeta com sua primeira mulher, Tereza Aragão, falecida em 1993. O encontro foi na casa de Glaucia Camargos, produtora do filme, e contou também com o diretor do longa, Lírio Ferreira.
E a semelhança entre Wagner e Gullar impressionou a viúva e a neta do poeta. À mesa, lembranças daqueles que conheceram o escritor foram reavivadas entre uma e outra das iguarias preparadas pela chef Roberta Sudbrack. E Pedro Wagner saiu dali duplamente alimentado.
E com material para estar mais próximo deste que é (e o verbo fica no presente) um dos maiores poetas brasileiros: José Ribamar Ferreira Gullar (1930-2016).
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)








