Certa vez, nos anos 1980, Cazuza (1958-1990) foi até o aeroporto despedir-se da amiga Bebel Gilberto, que acompanharia o pai, João Gilberto (1931-2019), em um show no exterior. De supetão, o poeta comprou uma passagem e lá foi ele. O episódio ilustra a sólida parceria e amizade entre os dois. E certamente virá à baila nesta sexta-feira (25).
Na ocasião, Bebel vai participar do talk show “Me cante uma história”, idealizado e apresentado pela jornalista Natália Boere. O bate-papo terá uma edição especial na exposição “Cazuza exagerado”, no Shopping Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. Bebel relembra que o amigo apresentava artistas e ideias que marcaram sua formação.
— Cazuza foi a pessoa que me fez ouvir Billie Holiday pela primeira vez. Ele me fez ler Nietzsche pela primeira vez, confesso que parei no meio e voltei. Me ensinou coisas muito espetaculares, foi muito importante — diz a cantora, que prossegue: — Cazuza era um velho romântico, com certeza era uma pessoa sempre em busca do amor. Quando começou a fazer sucesso, nunca tinha o visto tão focado na minha vida. Mais tarde também, quando sabia que já estava doente, ele fez “Ideologia” e “O tempo não para”. E não deixou de ser assim.
A exposição “Cazuza exagerado” ocupa mais de 1.500 m² no terraço do shopping e reúne mais de 700 itens preservados por Lucinha Araújo, mãe do cantor e presidente da Sociedade Viva Cazuza. A curadoria é assinada por Ramon Nunes Mello, com nove salas imersivas que percorrem todas as fases da vida e da obra do artista. Além do acervo inédito, a experiência mistura cenografia, tecnologia e interatividade com inteligência artificial e hologramas.
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