Um reduto sessentão

agosto 26, 2026

Grandes nomes da Cultura e da Política prestigiam os 60 anos do Teatro Casa Grande no Rio de Janeiro

Um palco pode ser também uma incubadora. E dela/dele saírem produções que voam alto ou mantêm-se vivas ao longo de anos, décadas até. Assim é o palco do Casa Grande. Ali, Maria Bethânia e Ítalo Rossi (1931-2011) brilharam, sob a direção de Bibi Ferreira (1922-2019), em “Brasileiro, profissão esperança”. Naquele tablado, Marco Nanini e Ney Latorraca (1944-2024), dirigidos por Marília Pêra (1943-2015), uniriam forças num dos mais longevos espetáculos em cartaz no país: “O mistério de Irma Vap”. Daquele palco saíram também comédias de grande sucesso como “Nardja Zulpério” e “Louro, alto, solteiro procura”, estreladas, respectivamente, por Regina Casé e Miguel Falabella.

São inúmeros os espetáculos que ganharam o país a partir do Casa Grande. O teatro abriu também seu palco à defesa da democracia – e num tempo em que defende-la representava um risco imenso. Aquele palco é mais que sagrado, portanto. E assim se mantém a seis décadas. E a celebração reuniu, na noite da última terça-feira (25), alguns dos nomes que ajudaram a escrever a História daquela casa. E, ali reunidos, reverenciaram uma de nossas mais importantes atrizes: Fernanda Montenegro. Nossa grande dama da cena fez, na ocasião, sua elogiada leitura das crônicas de Nelson Rodrigues (1912-1980).

A noite foi prestigiada por Antonio Fagundes e Christinae Torloni, em cartaz no teatro com “Dois de nós”; Bruno Mazzeo, que passou por lá em temporada recente da comédia que estrela com Lúcio Mauro Filho; Clarice Niskier, que tantas vezes iluminou aquela ribalta com “A alma imoral”, entre outros nomes de relevância à Cultura.

E também à Democracia. O jornalista Zuenir Ventura foi representado por seus dois filhos: o escritor e jornalista Mauro Ventura e a irmã deste, a empresária Elisa Ventura. A advogada Carol Proner, mulher de Chico Buarque, também prestigiou a noite, que contou com a presença de Moysés Fuks, um dos fundadores do teatro, hoje comandado pelos irmãos Silvia e Leonardo Haus sob o patrocínio da Axia.

Quando Fernandona surgiu no palco, a plateia aquietou-se. E, antes de iniciar a apresentação, a artista leu um texto sobre o teatro publicado por Ancelmo Gois em sua coluna no jornal O Globo. E o jornalista ouviu tudo de olhos fechados, degustando da experiência de ter suas palavras faladas por aquela mulher, que, convenhamos, está longe de ser uma qualquer.

Em respeito à idade avançada da atriz, ela não recebeu cumprimentos ao fim da apresentação. E se abrisse tal precedente, a fila seria quilométrica em razão do tanto de artistas presentes. Finda a leitura, todos deixaram o local com aquela sensação de que, como bem dito por Fernanda Torres, filha de Fernandona, a vida presta – e muito!

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)

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