‘Um presente, de verdade’

setembro 6, 2026

Grupo que uniu Bethânia, Caetano, Gal e Gil em 1976 tem seus 50 anos celebrados em show no Rio de Janeiro

Doce Bárbaro. O termo foi usado por Jorge Mautner para se referir a Jesus Cristo numa conversa com Caetano Veloso em idos dos anos 1970. Caetano procurava um nome para o conjunto que, naquele início de 1976, ele formava com Maria Bethânia, Gal Costa (1945-2022) e Gilberto Gil. Como os baianos, como eram chamados pela grande imprensa, eram chamados de Baihunos por O Pasquim, o autor de “Alegria, alegria” viu no termo o nome perfeito, uma vez que, “com amor no coração”, eles preparavam a invasão.

E a tal “invasão” aconteceu em junho de 1976, quando o quarteto iniciou por São Paulo a turnê para celebrar, com dois anos de atraso, os 10 anos de carreira que cada um deles completara em 1974. A turnê motivou um álbum duplo ao vivo e um documentário que, juntos, fizeram a cabeça de artistas de diferentes gerações. Alguns deles são Simone Mazzer, Maíra, Verônica Bonfim e Guilherme Borges.

Juntos, eles formam Os Esotéricos, que sobe ao palco para celebrar os 50 anos da formação daquele grupo que com “pé quente e cabeça fria” mudou padrões musicais, estéticos e comportamentais no país. “Nosso amor aos Doces Bárbaros” será apresentado nesta segunda-feira (07), no Teatro Sesi Firjan, Centro do Rio de Janeiro. Será a segunda apresentação do projeto na cidade, uma vez que o quarteto já fizera, em junho, um teste-drive no Manouche.

— Eu tenho muita gratidão aos artistas que vieram antes e pavimentaram o caminho, sabe? Quando a gente idealizou o show, há um tempo atrás, foi muito com essa sensação de prestar uma homenagem em agradecimento ao fato de que, há 50 anos, esses quatro se juntaram para celebrar 10 anos de carreira. E, agora, temos a oportunidade de celebrar suas vidas e toda a contribuição para o entendimento do que é arte e cultura do nosso território – explica Maíra ao NEW MAG, elencando que não faltarão temas como “O seu amor” (Gilberto Gil) e “Um índio” (Caetano Veloso), compostos originalmente para show e que acabaram tornando-se clássicos.

Essas obras-primas ganharam novas roupagens dos Esotéricos, eles próprios responsáveis pelos arranjos do show. O intuito não é o de mimetizar absolutamente nada daquilo que é conhecido, mas o de recriá-la. E, para tanto, são usadas imagens e recursos de audiovisual projetados sobre o cenário.

Mas há outros pontos em comum entre o quarteto de hoje e o que o precedeu. E um deles está no entrosamento. Esse fator é celebrado também por Maíra:

—  Dividir o palco com Simone, Guilherme e Verônica é estar em casa. Além dos três serem artistas que admiro demais, são amigos queridos e pessoas que têm um respeito imenso pela nossa profissão. É um presente, de verdade.

Para o respeitável público, sobretudo. Com amor no coração.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), divulgação (imagem alto) e Virgínio Sanches (imagem Esotéricos)

Os Esotéricos cantam “O seu amor”, de Gil, no show

MAIS LIDAS

Posts recentes

Uma surpresa e tanto

Fernando Toqrquatto e Guilherme Tavares usam de flashmob para promover evento que agitará o segmento em outubro