Tarsila está viva

agosto 3, 2026

Mariana Ximenes prestigia sua “mãe” Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello em musical-manifesto pelo Brasil

 

Claudia Raia é ovacionada ao fim das quase três horas de duração do musical

Mariana Ximenes chama Claudia Raia de mãe. A deferência estabeleceu-se a partir de “A favorita”, novela exibida pela TV Globo na qual Mariana viveu Lara, filha de Donatela, a ex-cantora interpretada por Claudia na trama de João Emanuel Carneiro. Pois a “filha” prestigiou a “mãe” no teatro no fim de semana.

Mariana conferiu, no domingo (02), “Tarsila”, musical no qual Claudia Raia personifica a pintora Tarsila do Amaral (1886-1973), uma das principais artífices do Movimento Modernista brasileiro. E foi acompanhada de sua mãe biológica, Fátima. E Mariana pode, a partir de agora, chamar a colega por um novo epíteto: Tarsila.

O musical iniciou pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro a turnê que inclui ainda capitais como Belo Horizonte (MG) e São Paulo. E que, devido ao sucesso, voltará à capital fluminense, em apresentações que ocorrerão em setembro no Vivo Rio.

Claudia Raia sempre incluiu elementos brasileiros (sem nunca esquecer do Teatro de Revista) em seus espetáculos autorais. Um exemplo é o da franquia “Não fuja da Raia”, realizada por ela juntamente com os hoje saudosos Jorge Fernando e Américo Issa. E “Tarsila” é certamente o espetáculo mais brasileiro produzido e estrelado pela cantriz, cuja persona artística foi forjada a partir de “Chorus Line” e seguiu uma trajetória que inclui, ainda lá nos anos 1980, espetáculos como “A pequena loja dos Horrores”.

A artista sempre atuou naquilo em que acreditou. E isto é corroborado agora com “Tarsila”, musical cuja dramaturgia e encenação, ambas seguras e sensíveis, são assinadas por José Possi Neto. No roteiro, cujos temas musicais de Guilherme Terra foram letrados por Possi juntamente com Anna Toledo, são elencados feitos da personagem-título, cujo ateliê em Paris era frequentado por alguns dos nomes que revolucionaram as artes no século XX como Jean Cocteau (1889-1963) e Pablo Picasso (1881-1973).

E todos eles estão lá – e não somente eles. Os feitos de Tarsila e, num segundo plano, as principais efemérides do Modernismo, são elencados na narrativa pelo núcleo central do Modernismo paulistano, formado ainda por Oswald de Andrade (1890-1954), interpretado com riqueza de minúcias por Jarbas Homem de Mello; Mario de Andrade (1893-1945) e por Anita Malfatti (1889-1964), muito bem personificados por Renato Caetano e por Keila Bueno.

No prólogo, quando Claudia-Tarsila entoa versos de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso (1903-1964), é prenunciado que ali será louvado um Brasil. E esta promessa se cumpre ao longo das quase 3 horas de duração da montagem. “Tarsila é um espetáculo-manifesto a favor da liberdade artística. É também um libelo por nossa Cultura e por nossa brasilidade. E o ápice desta proposta se dá no número final, no qual são celebrados outros modernos (e eternos) como Maria Bethânia, Chico Buarque, Elis Regina (1945-1982) e Marília Pêra (1943-2015).

“Tarsila” é, antes de tudo, uma declaração de amor ao Brasil. E, nesses tempos de polarizações tão acirradas, injeta-nos aquele orgulho benfazejo por nossas raízes e nossa Cultura. E por nossos artistas, de ontem, de hoje e de sempre!

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)

Mariana Ximenes entre Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello
Presenças: Maria Gil e Ana Amorim
Mãe e filha: Fátima e Mariana Ximenes
Jarbas e Claudia com o sobrinho da atriz, Kaian
Carla Khouri e Netto Moreira
Mariana cumprimenta Zé Possi Neto

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