Cerca de 70 obras estão sendo exibidas na exposição “Quando aparecer um rio atravesse-o”, da artista carioca Fernanda Leme. A inauguração, nesta quinta-feira (05), no Centro Cultural Candido Mendes, no Rio de Janeiro, reuniu Vanessa Rocha, Talita Tanure, Bob Neri, Eduardo Mariz, Carlos Sigelmann, entre outros amigos de Fernanda. Com curadoria de Denise Araripe, a mostra aborda temas como a finitude e a efemeridade das imagens no mundo contemporâneo e inclui trabalhos inéditos e obras que vão sendo completadas com a participação do público.
— A exposição propõe uma reflexão sobre a finitude e sobre como a consciência de nossa impermanência pode nos levar a repensar a própria vida. É por meio das imagens, da pintura e das operações que realiza sobre elas que Fernanda pensa. Cortar, fragmentar, deslocar e reconstruir não são apenas procedimentos formais, mas maneiras de elaborar uma experiência e produzir novos sentidos para aquilo que vive — afirma a curadora.
Fernanda apresenta na exposição uma pesquisa inédita, que começou a desenvolver este ano, na qual recorta suas próprias pinturas em tiras horizontais de tamanhos variados e as remonta, desconstruindo as imagens originais e transformando-as em composições abstratas, que ganham novos sentidos.
— Recorto a imagem em tiras de diferentes espessuras e as colo de maneira desencontrada em cima de um pôster de madeira. Uso a própria obra pictórica e a transformo em outra obra. Uso então o que já existe para construir um outro, que reconstruo com outras técnicas e materiais — conta a artista.
Nesses novos trabalhos, apesar de a imagem se tornar abstrata, alguns elementos figurativos permanecem.
Em suas obras, Fernanda discute temas da contemporaneidade, como a sociedade líquida e a fugacidade das imagens. Muitas vezes, recorre ao autorretrato e aborda o protagonismo feminino, articulando sua experiência pessoal a questões coletivas.
— Essa nova série tem tudo a ver com esse ser contemporâneo, com a rapidez do mundo atual. O trabalho está todo recortado, tem um movimento, uma rapidez e a imagem não se forma— afirma.
Créditos: Bianca Portugal (texto) e Cristina Granato (imagens)


















