Milton Hatoum é o primeiro amazonense a tomar posse na Academia Brasileira de Letras. A cerimônia aconteceu na última sexta-feira (24), na sede da instituição, no Centro do Rio de Janeiro, marcando a entrada do escritor na cadeira 6, vaga deixada pelo jornalista Cícero Sandroni (1935-2025).
Diante de um auditório atento, Hatoum conduziu um discurso atravessado por memória, formação e literatura. Ao relembrar sua trajetória, destacou o papel decisivo da educação pública em sua vida — da escola básica à universidade — e fez questão de agradecer a professores e leitores que acompanharam sua caminhada.
— É uma grande alegria, é uma grande honra para mim, para os meus leitores e leitoras, para o Estado do Amazonas, enfim, é uma coisa muito bonita, e eu quero dar a minha modesta contribuição para a academia e também para os leitores, para a literatura brasileira, coisas que eu venho fazendo já há quase 40 anos — disse Hatoum.
A literatura apareceu como eixo central da fala, com referências a autores que marcaram sua formação, como João Cabral de Melo Neto (1920-1999) e Guimarães Rosa (1908-1967) — nomes que ajudaram a moldar a sensibilidade de um autor que hoje ocupa lugar de destaque nas letras brasileiras.
Nascido em Manaus, Hatoum construiu uma obra reconhecida dentro e fora do país, com romances como “Dois irmãos” e “Cinzas do norte”, além de contos e crônicas. Ao longo da carreira, venceu três vezes o Prêmio Jabuti e teve livros publicados em 17 países, ultrapassando a marca de 500 mil exemplares vendidos.
A noite de posse reuniu nomes de diferentes áreas, como a apresentadora Fátima Bernardes e o médico Drauzio Varella. Entre os imortais da casa, marcaram presença Fernanda Montenegro, Gilberto Gil e Rosiska Darcy de Oliveira.
Crédito das imagens: divulgação / ABL











