Dois grandes atores interpretando duas figuras históricas. Celso Frateschi e Zécarlos Machado estrearam a temporada carioca do espetáculo “Dois papas”. No palco, o encontro fictício (mas inspirado em fatos reais) entre o Papa Bento XVI (Joseph Ratzinger, 1927-2022) e o então cardeal argentino Jorge Bergoglio (1936-2025), que mais tarde se tornaria o Papa Francisco.
A estreia aconteceu na noite da última quinta-feira (11) no Teatro TotalEnergies, e reuniu convidados para acompanhar a montagem baseada no texto de Anthony McCarten. Marcaram presença nomes como o rabino Nilton Bonder, os atores Marcos Breda, Larissa Maciel e Henri Pagnoncelli, além da empresária Aniela Jordan.
Um dos momentos mais emocionantes da noite aconteceu logo após a apresentação. Visivelmente comovido, Zécarlos beijou o palco do teatro. O gesto tinha um significado especial: em 1973, o ator participou da inauguração do então Teatro Adolpho Bloch (atual Teatro TotalEnergies), com o musical “O homem de La Mancha”. Mais de cinco décadas depois, ele retornou ao mesmo espaço para uma nova estreia e celebrou a ocasião com uma homenagem silenciosa à própria trajetória.
Na peça, como antecipado aqui, Zécarlos interpreta o conservador Bento XVI, enquanto Celso vive Bergoglio. A trama parte do momento em que o cardeal viaja ao Vaticano disposto a pedir sua aposentadoria. Para sua surpresa, é chamado para uma conversa reservada com o pontífice, que considera renunciar ao cargo diante das pressões enfrentadas pela Igreja Católica. O encontro dá origem a um diálogo marcado por divergências ideológicas, mas também por respeito, escuta e momentos de humor.
Além dos protagonistas, o espetáculo conta com Carol Godoy e Eliana Guttman, que dão voz a personagens femininas próximas aos dois religiosos. Elas interpretam, respectivamente, a Irmã Sofia, marcada pela ditadura argentina e pelos ensinamentos de Bergoglio, e a Irmã Brigitta, editora de livros religiosos e confidente de Bento XVI.
Crédito das imagens: Cristina Granato












