Ele tem nome de herói épico. Ao lado de três amigos forma aquela que é, há décadas, uma verdadeira força-tarefa em prol da música de qualidade no país. Estamos falando de Aquiles, um dos integrantes e fundadores do MPB4, conjunto que, lá nos anos 1960, ajudou a consolidar a sigla como o gênero musical abrangente que conhecemos hoje.
Se o Aquiles homérico amarelou e fugiu da luta, o mesmo não pode ser dito sobre o músico brasileiro. Ele teve naqueles mesmos anos 1960 participação importante na defesa da liberdade e da democracia.
— No auge da ditadura, as passeatas eram reprimidas com violência pelas forças de segurança. Na época, eu tinha contato com o comando estudantil que organizava as manifestações. A pancadaria comia solta e logo tratávamos de correr para novos pontos previamente combinados. E, assim, recomeçava o movimento – recorda-se o cantor, integrante do conjunto vocal desde meados dos anos 1960.
Uma aliada nesse front foi Joyce Moreno. E não, por acaso, o nome da cantora e compositora foi o escolhido para participar do show que o MPB4 faz no Rio de Janeiro. Apropriadamente batizada de “Esperança Brasil”, a apresentação ocupa, nesta quarta (29), o palco do Teatro Riachuelo, Centro da cidade.
— Eu era uma espécie de centralizador no contato com os músicos. A Joyce recebia a informação de quando e onde as passeatas começavam. Nunca nenhum dos artistas comentou, nem informalmente, que a reunião dos músicos no Centro do Rio se realizava a partir da minha convocação, até que ela comentou num de seus livros e citou meu nome – reconhece o artista.
O fato foi rememorado pela cantora em “Fotografei você na minha roleyflex”, livro com suas memórias editado originalmente na década de 1990. A obra foi inserida recentemente em “Aquelas coisas todas” (Numa), edição ampliada reunindo as memórias e reflexões da artista.
— Tudo rolava debaixo de porrada. Era um tal de correr pelas ruas do Centro, gritando palavras de ordem e reagindo com pedradas à ação da repressão – arremata Aquiles.
Num mundo polarizado e pautado pela falsa sensação de hiperconectividade, os fantasmas do autoritarismo estão aí, à espreita. E a esperança ainda é um norte. A aérea esperança… Esperança, pois SIM.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e André Pinnola (imagem)





