A grande compositora que ela é o público ama e reverencia. E o mesmo pode ser dito sobre a artista que, a cada aparição em cena, nunca é óbvia ou superficial. Pois há uma faceta de Adriana Calcanhotto que só vem à baila quando a cantora está de folga ou no traslado entre um destino e outro: a da leitora. Esta vertente será a tônica de evento do qual Adriana participa no Rio de Janeiro.
A artista é a convidada do Clube da Leitura, encontro capitaneado pelos poetas Suzana Vargas e Ramon Nunes Mello no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Na edição da próxima quarta-feira (15), a compositora vai falar dos livros e dos autores que fizeram sua cabeça e do seu interesse pela poesia, que vai além dos limites da canção uma vez que ela já organizou diferentes antologias voltadas ao segmento.
— Vai ser uma conversa sobre os livros que me formaram, os que li mais de uma vez, os que me acompanham como leitora e como autora e como isso aparece em “Saga Lusa”, onde experimentei o quanto a literatura salva – comenta Adriana, referindo-se ao livro autobiográfico no qual narra o surto psicótico provocado por medicamentos quando, em 2008, precisou tratar de uma gripe durante temporada de shows em Portugal.
Revelar a leitora por trás da artista é um dos propósitos que culminaram na escolha de Adriana para esta edição do evento. A precisão da artista, latente nas suas composições, é um dos pontos que, segundo Suzana Vargas, a compositora leva à música a partir da literatura.
— Essa relação íntima com a literatura ajuda a compreender uma das características mais marcantes da obra de Adriana. Em suas letras e composições, a precisão da linguagem, a economia verbal e a força da sugestão parecem ecoar uma das lições fundamentais da poesia: a de que, muitas vezes, menos é mais – acredita a poeta e professora, para quem a literatura — especialmente a poesia — aparece como uma fonte permanente de alimento criativo para a artista: — Sua trajetória revela uma leitora ao mesmo tempo exigente e sofisticada, capaz de transformar experiências de leitura em matéria estética, sem perder a leveza e a naturalidade que caracterizam sua produção.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Leo Aversa (imagem)





