‘Benedito escrevia com maestria’

julho 7, 2026

Maria Adelaide Amaral lamenta morte de Benedito Ruy Barbosa e diz que legado do autor dificilmente será repetido

A genialidade de Benedito Ruy Barbosa se transformou em um dos maiores legados da teledramaturgia brasileira. O dramaturgo, que morreu nesta terça-feira (07), aos 95 anos, marcou gerações com histórias que ajudaram a redefinir a forma de retratar o Brasil na televisão. Em conversa com o NEW MAG, a escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral relembrou a importância do colega de profissão e afirmou que sua contribuição para a TV dificilmente será repetida.

— O Benedito Ruy Barbosa foi um dos maiores autores da Globo. Ele pertence a uma geração de ouro formada por ele, Lauro César Muniz, Walter Negrão, Walter George Durst, Cassiano Gabus Mendes e Gilberto Braga. Ele se especializou no universo rural, na saga dos imigrantes, escrevendo com maestria. Dominava perfeitamente o seu ofício. Era originário da publicidade e do teatro. A primeira vez que vi algo do Benedito foi no fim dos anos 1950 ou início dos anos 1960, no Teatro de Arena, com “Fogo frio”, também ambientada no mundo rural — relembra Maria Adelaide.

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa escreveu alguns dos maiores sucessos da televisão brasileira, entre eles “Meu pedacinho de chão” (1971), “Pantanal” (1990), “O rei do gado” (1996) e “Terra nostra” (1999). As novelas permanecem como referências da teledramaturgia nacional e seguem vivas na memória do público décadas após suas exibições originais.

— Lamento que essa geração, que é uma geração de ouro, não seja substituída por pessoas do mesmo gabarito. Tem muita gente boa. George Moura é muito bom, gosto muito da Rosane Svartman também, mas o que o Benedito fez na teledramaturgia foi realmente muito importante. Foi um grande feito, em um grande momento. Os tempos são outros na Globo, infelizmente. Ele pertence àquela geração em que o padrão Globo de qualidade era um requisito importante — conclui.

Créditos: Bruno Nunes (texto), Christovam de Chevalier (entrevista) e reprodução / Instagram (imagem)

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