‘O desaparecimento deixa de ser curioso’

agosto 11, 2026

Eduardo Albergaria fala dos desafios de transformar em série a vida de Belchior após lotar cinemas com Claudinho e Buchecha

Depois do sucesso de “Nosso sonho”, cinebiografia que levou para as telas a trajetória de Claudinho (1975-2002) e Buchecha, Eduardo Albergaria mergulha agora na história de outro nome marcante da música brasileira. E é ninguém menos que Belchior (1946-2017). Na série “Alucinação”, o diretor revisita a vida do cantor desde sua formação artística no interior do Ceará à consagração nacional e, posteriormente, o afastamento dos holofotes. 

— Ao mergulharmos na trajetória de Belchior, entendemos que existe uma coerência profunda entre essas fases. “Alucinação” parte justamente dessa premissa. Belchior nunca deixou de perseguir a mesma coisa: o sagrado, o sentido mais profundo da existência. Primeiro, deixa o seminário; depois, a medicina; mais tarde, o Ceará; e, por fim, a própria imagem pública que havia construído. Ele abre mão de uma identidade para permanecer fiel ao que acreditava ser sua verdadeira vocação — afirma Eduardo.

A série, baseada no livro “Belchior – Apenas um rapaz latino-americano”, de Jotabê Medeiros, estreia no dia 29 deste mês, no Canal Brasil, em quatro episódios. A produção chega ao público no ano em que o álbum “Alucinação”, um dos mais importantes da trajetória do artista, completa 50 anos.

As escolhas de Belchior ao longo de sua vida aparecem, na visão do diretor, como partes de uma mesma trajetória. Cada movimento representa o abandono de uma identidade anterior para dar lugar a outra etapa de sua busca pessoal.

— O desaparecimento deixa de ser apenas um episódio curioso de sua biografia e passa a ser o capítulo final da busca de um homem que preferiu permanecer fiel ao sagrado da vida do que à imagem que o mundo havia criado para ele. Isso explica a decisão. Não explica o que ele viveu depois de tomá-la, e é justamente quando a série termina. No silêncio, e no que ele não disse.

É a partir desse desaparecimento que a narrativa ganha outra dimensão. Ao lado de Edna Prometheu, interpretada por Isabela Garcia, última companheira de Belchior, o cantor percorre o Brasil e a América do Sul. Para interpretar o artista em diferentes momentos da vida, a produção conta com Caian Zattar e Luiz Carlos Vasconcelos. 

A narrativa também recupera personagens importantes que cruzaram o caminho de Belchior, como Luiz Gonzaga (1912-1989), Elis Regina (1945-1982), Vinicius de Moraes (1913-1980), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), entre outros.

Créditos: Bruno Nunes (texto) e divulgação (imagem)

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