‘Uma contribuição contínua’

agosto 9, 2026

No dia em que Fafá de Belém completa 70 anos sua arte é festejada por Maria Bethânia, Alcione, Joanna e por Roberta Miranda

Um Brasil faz neste domingo, 09 de agosto, 70 anos. É um Brasil vibrante, cativante, solar e ao mesmo tempo terno e sentido (doído, até). Um país autêntico, pungente, visceral, apaixonado (e apaixonante). Um Brasil que traz, ao longo de sua extensão geográfica, outros Brasis. Este país tão plural tem no timbre de Fafá de Belém uma de suas muitas definições-síntese.

E, no dia em que Maria de Fátima Palha de Figueiredo completa sete décadas de existência, convidamos quatro grandes damas da música brasileira a saudar a aniversariante. A primeira delas é Maria Bethânia, que, em respeito à primazia de seu canto, abre esta pauta. As demais são Alcione, que surge na cena musical concomitantemente a Fafá, e duas mulheres às quais a homenageada abriu caminhos: Joanna e Roberta Miranda. A elas, portanto, nosso comovido agradecimento.

Dez anos antes de Fafá gravar “Tamba tajá” (1975), seu álbum de estreia, uma cantora foi a responsável por, através de seu canto pungente e sua força cênica, abrir alas a toda uma leva de cantoras que tomariam as rádios a partir de meados dos anos 1970. Não por acaso, em 1976, esta cantora rompeu a barreira do som ao levar o refinamento de uma balada de Chico Buarque ao dial da AM. A intérprete em questão é Maria Bethânia. Primeira mulher a alcançar no Brasil a marca de 1 milhão de LPs vendidos (patamar a que Fafá chegaria nos anos 1980), Bethânia é a primeira convidada a deixar suas palavras à aniversariante:

— Nove de agosto: 70 anos de Fafá de Belém! Felicidades, querida Fafá. Obrigada pelas lindas canções que só embelezam o Brasil e a nós que a admiramos. Tintim! Saúde, sorte, alegrias e as bênçãos de Nossa Mãe Maria. Festeje MUITO! Um beijo, Bethânia.

Tal e qual Bethânia, Fafá cantou o que quis. É errôneo classificar tal característica como petulância. O mais certo talvez seja chamar de arrojada. Ou, usando um, termo em voga nos dias de hoje, resiliente. Assim é Bethânia. Assim é Fafá.

E, ali, em 1975, quando a cantora paraense começava a cativar o país com “Filho da Bahia”, uma cantora de temperamento e força semelhantes começava a ganhar o país, já escaldada pelo trabalho de crooner. E, curiosamente, ela vem de um estado que faz divisa com o Pará de Fafá. Deve ser coisa das mulheres nortistas ter essa gana e arrebatamento. É ou não é, Alcione?

— Hoje é dia de celebrarmos o aniversário dessa minha colega talentosa e guerreira chamada Fafá de Belém! Que Deus e Nossa Senhora de Nazaré continuem iluminando o seu belo caminho, Fafá!

Clara Nunes, Alcione e Fafá de Belém

Fafá acabou por ajudar a abrir veredas a outras cantoras que surgiriam na virada entre os anos 1970 e 1980. Entre 1978 e 1979, a mulherada tomou rádios e TVs num “levante” artístico cujo front trazia Angela Ro Ro (1949-2025), Marina Lima, Elba Ramalho, D. Ivone Lara (1921-2018) e Zizi Possi. Entre elas estava uma cantora e compositora que, assim como Fafá, cantaria o amor com autenticidade e muita, muita verdade. Seu nome? Joanna:

— Querida Fafá, o tempo só nos trouxe o seu melhor. Que essa luz se estenda por muitos anos e que os corações apaixonados possam sempre beber de sua fonte artística com amor! Parabéns!

A partir de álbuns como “Estrela radiante” (1979), Fafá começou a dar os primeiros sinais de uma vertente que ficaria mais evidente na década seguinte e que seria uma de suas marcas: a de aliar a sofisticação da MPB a temas nos quais o amor pudesse ser cantado sem meias palavras.

Viajando o Brasil em turnês, Fafá nunca fechou os ouvidos à diversidade de estilos musicais que pulsavam nos rincões do país. Foi assim com a lambada, estilo do qual gravou um pot-pourri em “Aprendizes da esperança” (1985). O mesmo se deu com “Nuvem de lágrimas”, quando, no fim daquela década, Fafá não somente deu guarida à nova música sertaneja que começava a ganhar vulto como ajudou a tornar conhecidos dois de seus principais representantes: Chitãozinho e Xororó.

Com isso, ajudou a jogar luz em várias duplas do segmento – e também a artistas solo. Então, natural que uma autêntica representante do segmento (e que abriu portas a outras tantas), esteja presente para louvar Fafá. A cantora em questão é Roberta Miranda, referência de todas as jovens cantoras que brilham hoje no sertanejo pop. Roberta deixa também seu recado à Fafá.

—Gosto muito da Fafá de Belém. O que falar dela? Uma mulher que já comprovou a que veio e que tem uma contribuição que é e continua, sendo fantástica para a MPB, principalmente divulgando o estado onde nasceu: o Pará – pontua a estrela deixando seu recado: — Gosto e admiro muito a Fafá e desejo a ela tudo de maravilhoso e lindo. Muitas felicidades, paz e saúde. Ela é uma guerreira e lutadora!
Fafá, um beijo pra você. Que Deus te proteja!

Que Deus e todos os santos e, em especial, Nossa Senhora de Nazaré – a quem Fafá e tantos paraenses se referem como Nazinha. Que Eles iluminem seu canto, genuíno e personalíssimo, sua figura, austera e cativante. E que Fafá de Belém continue a ter pelo Brasil este olhar tão singular que faz dela uma artista das mais genuínas!

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), Teresa Maciel (imagem Fafá) e reproduções/internet (demais imagens)

Fafá de Belém e Maria Bethânia na quadra da Mangueira em 2015

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