Nem toda crise termina em rompimento. Para Maria Flor, ela pode se transformar em escrita. E também – e por que não? – em literatura. Cartas trocadas por ela e pelo marido, Emanuel Aragão, estão reunidas em“O amor ainda é possível?” (Ed. Planeta). As missivas foram escritas durante um período delicado da relação. Em entrevista ao NEW MAG, ela conta como as correspondências, iniciadas para resgatar o diálogo entre os dois, acabou dando origem ao livro.
— A gente estava passando por uma crise e com muita dificuldade de conversar por causa da correria do cotidiano, com criança, casa e trabalho. O Emanuel teve a ideia das cartas, e a gente começou a trocar esses textos. Quando a crise passou, percebemos que aquele material poderia virar um livro interessante para outras pessoas e outros casais poderem tirar algum proveito do que a gente estava vivendo — avalia a atriz.
O lançamento de “O amor ainda é possível?” acontecerá nesta quarta-feira (08), na Livraria da Travessa do Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. Além da sessão de autógrafos, os autores participam de um bate-papo sobre a obra. Ao longo da escrita, a atriz conta que precisou revisitar aspectos da própria vida que haviam ficado em segundo plano, especialmente depois da maternidade.
— Percebi coisas que eram muito essenciais para a gente e das quais tínhamos aberto mão por conta do tempo. A individualidade de cada um é uma delas. O espaço que cada um precisa na vida, de solidão, de tempo, para conseguir estar junto. Quando começamos a escrever, meu filho Vicente tinha acabado de fazer 3 anos e eu ainda estava tentando entender quem eu poderia ser depois da grande transformação que é se tornar mãe. As cartas me ajudaram muito nesse sentido.
Segundo Maria, ela e Emanuel estabeleceram uma regra para que o exercício realmente funcionasse. Uma regrada definida em comum acordo, e seguida à risca por eles, fez a diferença em relação aos temas tratados por escrito.
— A gente tinha uma regra: não falar aquilo que já discutia na mesa do jantar. A ideia era cavucar mesmo as profundezas do problema. Isso foi importante para tocar em questões que eram mais difíceis — afirma a artista, que também comenta que tem recebido mensagens de leitores: — Muitos casais já compraram o livro e disseram que iam ler juntos, um para o outro, antes de dormir, para discutir as questões que aparecem ali. É muito interessante.
A história também vai ganhar uma adaptação para os palcos. Maria revela que ela e Emanuel estarão juntos em cena na peça inspirada na obra:
— A gente vai fazer uma peça baseada no livro no ano que vem, no Teatro Poeirinha. A ideia é estrear em maio. Vamos ser nós dois em cena, com dramaturgia do Bernardo Marinho, que também vai dirigir com a gente.
Durante a conversa, a atriz também falou sobre os próximos projetos da carreira. Um dele é a estreia, no dia 13 de agosto, de “O filho”, no Teatro Fernanda Montenegro, no Copacabana Palace, Rio de Janeiro.
Ao comentar a morte de Benedito Ruy Barbosa, ocorrida na última terça-feira (07), Maria relembrou a experiência de interpretar Tina na novela “Cabocla” e destacou a força da escrita do dramaturgo.
— O texto dele já traz todo o personagem. O jeito de falar, as imagens que ele coloca, os conflitos… tudo estava ali. Quando li pela primeira vez, o jeito da Tina falar, a tristeza dela, a amargura, estava tudo no texto. Ele é um autor muito raro e deixa um buraco imenso na teledramaturgia. Tenho certeza de que a gente vai sentir muita falta das novelas dele — arremata.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Jorge Bispo (imagem)





