“Ela continuou com essa vivacidade permanente que ela tem”. As palavras são de Gilberto Gil e dizem respeito à cantora Preta Gil, uma de suas cinco filhas e a primogênita na relação com Sandra Gadelha, a Drão, com quem teve Pedro (1969-1990) e Maria.
A fala sobre Preta integra a entrevista dada pelo cantor ao NEW MAG e publicada aqui no dia 11 de setembro de 2024. Os trechos que seguem foram desmembrados de uma das nove respostas dadas pelo artista ao site. E elas são reavivadas aqui como uma homenagem à cantora, que morreu na noite do último domingo (20), após lutar bravamente contra as complicações decorrentes de um câncer.
A conversa com Gil deu-se na noite de 02 de setembro de 2024. Na ocasião, Lucinha Araújo lançava duas obras dedicadas ao filho, Cazuza (1958-1990) – uma fotobiografia e a reunião das letras do artista –, e Gil e a mulher, Flora, estavam entre os convidados.
Um mês antes, Preta havia celebrado seus 50 anos no Rio de Janeiro, e este foi o mote para Gil elencar as características mais admiradas por ele em relação à filha. E a pergunta acabou suscitando lembranças do tempo em que Preta tinha 5 anos.
– Preta fez 50 anos, e a lembrança mais perene que guardo dela é a dos seus primeiros cinco anos. Esses 50 contam pouco para mim. Ela nunca deixou de ser a menina alegre entusiasmada e inteligente, ativa, criativa que ela era aos 5 anos – destacou o cantor e compositor.
Após os almoços dominicais, era comum Preta fazer apresentações para os amigos e familiares presentes. As performances podiam, segundo Gil, variar entre o drama, a música e a pantomima:
– Ela montava um palco no jardim lá de casa, na Bahia, e, aos domingos, após o almoço, ela fazia o show dela, com as coisas dela e isso podia ser um teatro, um show ou uma pantomima, um bocado de coisas ao mesmo tempo. Ela passou a vida fazendo isso até se profissionalizar como artista e continua fazendo assim, continuou com essa vivacidade permanente que ela tem.
E essas características foram mantidas por Preta mesmo quando a barra da luta contraa doença pesou,como Gil comentou na ocasião num misto de orgulho e resignação.
– E mesmo agora, com o sofrimento natural que uma doença provoca, ela continua intensa, inteligente e resignada no sentido mais profundo da palavra – concluiu o mestre.
E assim ela há de continuar nas nossas memórias e nos nossos corações. E no seu canto, que ela nos deixa como o legado de sua luta, de sua força, de sua fé e de sua obstinação.
Créditos: Christovam de Chevalier (teto) e reprodução/instagram (imagem)





