“Au, au, au, inha, in, inhó/Miau, miau, miau, Cocorocó”… Não, não são meras onomatopeias, mas música. O público 40+ certamente a ouviu em algum momento da infância. Os latidos e miados em questão estão no tema de abertura de “Os saltimbancos”, musical de Chico Buarque que chegou aos palcos originalmente em 1977, ano em que saiu em LP. Pois a trama criada por Chico vai chegar novamente ao cinema – e, pela primeira vez, como uma animação.
O projeto está sendo tocado por um craque neste segmento: o premiado Carlos Saldanha, o mesmo da animação “Rio” (2011) e da franquia “A Era do Gelo”. E ele tem na empreitada uma parceira à altura: a cineasta e produtora de cinema Joana Mariani. O projeto, devidamente aprovado por Chico, deve chegar às salas em 2028, segundo estimativas do próprio realizador.
— Estamos Joana e eu fazendo juntos este filme. Daqui a dois anos terminamos – prevê Saldanha, que terá um grande talento musical no projeto: — A produção musical será da Maria Gadú. Estamos na luta e vai ser lindo!
E tem tudo para ser mesmo. As vozes dos quatro personagens centrais – a Gata, a Galinha, o Cão e o Jumento – serão simplesmente de IZA, Samatha Schmütz, Seu Jorge e de Fábio Porchat. No LP original, os papéis couberam a Nara Leão (1942-1989), Miúcha (1937-2018), Ruy Faria (1937-2018) e Magro (1943-2012), estes dois fundadores do MPB4.
Não é a primeira vez que “Os saltimbancos” chega ao cinema. Em dezembro de 1981, uma versão protagonizada pelos Trapalhões e por Lucinha Lins chegou às salas atraindo pouco mais de 5 milhões de espectadores – um feito e tanto para a época.
Saldanha prepara o projeto concomitantemente a outro pelo qual tem um carinho especial: “100 dias”, longa sobre o navegador Amyr Klink e inspirado no livro “Cem dias entre céu e mar”, do próprio velejador. A produção chega às salas no dia 29 de outubro.
— Foram quase oito anos de produção e, filmando, dois anos. É um projeto de vida mesmo. Li o livro na adolescência e quando me ofereceram essa oportunidade, vi que era única. Se eu fosse fazer um filme no Brasil teria de ser este – arremata Saldanha.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagem)





