Uma explosão atlântica

setembro 21, 2025

Versos de Chico Buarque provocam catarse em show de Maria Bethânia no dia em que o país foi às ruas

Foi o que podemos chamar de um encerramento de lavar a alma. O show com que Maria Bethânia celebra seus 60 anos de carreira, que despediu-se neste domingo (21) do Rio de Janeiro, onde estreou, como noticiado aqui, no início do mês, teve um sabor especial para a artista e para o público que lotou o Vivo Rio,Centro da cidade.

O show seguiu, neste último fim de semana da temporada carioca, quase o mesmo roteiro da estreia. A exceção ficou por conta de  “Olhos nos olhos”, de Chico Buarque, que substituiu “Mar e lua”, do mesmo autor. A entrada da canção romântica, gravada por Bethânia em 1976, levou o público a cantar em coro sua letra, mas outra canção do referido compositor provocaria uma reação ainda mais efusiva.

O tema em questão foi “Rosa dos ventos”, canção-título do histórico show apresentado pela intérprete em 1971.  Neste domingo em que o país foi às ruas contra a chamada PEC da Bandidagem e contra a anistia aos envolvidos na tentativa de golpe do 08 de janeiro, os versos “E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar” arrancaram do público longo e calorosos aplausos, só interrompidos por “Vera Cruz”, canção inédita de Xande de Pilares que encerra o espetáculo.

O bis correu como esperado, com parte do samba-enredo “A menina dos olhos de Oyá” seguido de Reconvexo”,de Caetano Veloso (que prestigiara a irmã na noite anterior). Encerado o show e ainda com as luzes apagadas, ganhou vulto o coro de “Sem anistia”.

E BetHânia não teve escolha senão a de voltar ao palco. A cantora não emitiu nenhum comentário, mas demonstrou estar afinada com o coro. A canção escolhida para o novo bis  foi “Fé”, de IZA,  a que traz o verso “Fé para enfrentar esses filhos da puta”. E o tema não poderia ser mais do que apropriado.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Ricardo Nunes (imagem)

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