Laila Garin vai celebrar seus 30 anos de carreira dando vida a uma das maiores vozes da música francesa. Marcada por interpretar Elis Regina (1945-1982) em “Elis, A Musical”, a atriz agora assume o papel de Édith Piaf (1915-1963) em “Piaf – Eu não me arrependo”. O espetáculo inédito acompanha a trajetória da cantora, da infância marcada pela pobreza à consagração internacional. E o processo para levar a estrela francesa ao palco tem sido de descoberta para a atriz.
— Piaf foi muito corajosa. Fez uma parada no meio da Segunda Guerra para se apresentar. Paris estava tomada pelos alemães, mas ela foi com um plano da Resistência Francesa aos campos para tirar fotos com os prisioneiros que serviram para que fossem feitos documentos falsos, permitindo a fuga deles. Foi de uma coragem absurda. E eu não sabia disso — conta Laila.
O espetáculo estreia no dia 07 de agosto no Teatro Bradesco, em São Paulo. Com direção de Sergio Módena, a montagem recria momentos marcantes da vida de Piaf, como o romance com o pugilista Marcel Cerdan (1916-1949), e reúne canções que marcaram sua carreira, entre elas “La Vie en Rose”, “Padam, Padam”, “Milord” e “Non, Je Ne Regrette Rien”.
Para Laila, outra descoberta durante a preparação foi perceber que Piaf ia muito além da imagem de uma mulher movida pelas paixões:
— Ela era uma mulher que amava muito, amava intensamente os homens e a vida. Mas também era uma pensadora. Pensava cada gesto que fazia, como ia interpretar, a escolha do repertório. Era compositora e também direcionava a carreira de outros cantores. Era uma mulher que sabia o que queria.
A atriz afirma que também encontrou um lado pouco conhecido da cantora ao estudar sua trajetória.
— Como viveu na rua, foi criada pela rua e se emancipou aos 15 anos, sentia falta de ter esse ambiente familiar. Então recriou isso na própria casa: era uma casa sempre cheia de gente, e ela sustentava financeiramente vários amigos. Era muito amorosa — conta.
Aniela Jordan, diretora artística da Aventura, produtora responsável pelo espetáculo, resume o espírito da montagem.
— Contar a história de Piaf em um musical é falar sobre vencer o destino que nos é imposto, mas celebrar a força feminina, a solidariedade e a vida inspiradora de uma mulher que superou todos os desafios e que jamais se arrependeu de suas escolhas — afirma a diretora.





