Quem vê Tom Zé todo serelepe no palco (e na vida) pode se impressionar. O compositor – e um dos principais artífices da Tropicália – completa 90 anos este ano. O aniversário é daqui a quase três meses, mais exatamente no dia 11 de outubro, mas o artista já começou a ganhar presentes em razão da efeméride. E o primeiro deles veio da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus).
O cantor ganhou do presidente da instituição, Roberto Corrêa de Mello, um quadro com dados referentes à relação que o público tem com sua arte. E alguns dos números surpreenderam o compositor. Um deles diz respeito às músicas gravadas por ele: mais de 490.
Outro aponta para as canções mais procuradas pelos consumidores. “Xiquexique”, “Menina amanhã de manhã”, “Senhor cidadão” e “Jimmy, renda-se” estão entre elas. O levantamento foi apurado pela própria Abramus com base nos dados de execução pública registrados no Ecad.
No encontro, ocorrido no escritório do artista, em São Paulo, Tom Zé equiparou a literatura à importância da música na sua formação como indivíduo e, futuramente, como artista. E ela deu-se em Irará, cidade baiana onde ele nasceu e cresceu.
— Quando eu estava no balcão da loja de meu pai, em Irará, me dei conta de que precisava aprender a língua daquelas pessoas da roça, que era diferente! Eu fiz da minha infância uma universidade de livros, e esses livros formavam a minha cabeça. Então, posso dizer que estudei línguas antes de entrar no curso primário – rememorou.
Capa da primeira edição da revista da Abramus, o compositor ganhará da publicação uma edição em sua homenagem. Para Corrêa de Mello, a pluralidade do artista faz dele único na cena musical até hoje:
— Sempre foi uma caraterística dele misturar os ritmos populares, os regionais e a erudição. Tom Zé representa o melhor da música popular brasileira.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagem)






