Gabriel Leone mergulhou na história recente do país para viver um dos papéis mais intensos de sua carreira. Na última terça-feira (28), o ator participou da coletiva de imprensa — acompanhada por NEW MAG — de “O agente secreto”, novo filme de Kleber Mendonça Filho, e falou sobre o poder do cinema brasileiro e a atmosfera política que permeia o longa. Sobre a expectativa de que o filme possa representar o Brasil no Oscar, o ator foi direto:
— A gente nunca faz o filme pensando que ele vai concorrer ao Oscar, faz porque a gente quer contar aquela história.
Na trama, Gabriel interpreta um dos criminosos à espreita do personagem de Wagner Moura. Segundo ele, um papel enigmático, marcado por silêncios e sombras. E o filme se passa durante a ditadura militar, tema que não é novo para o ator.
— Já tinha feito um mergulho nessa época da ditadura na preparação para o personagem na série “Os dias eram assim”. Meu personagem estava de um lado oposto ao do Bob em “O agente secreto”. Eu fazia um artista, um cantor e compositor da época que, como tantos dos nossos ídolos, foi preso, torturado e exilado.
Ele afirmou que, mesmo não tendo vivido o período, sente uma conexão pessoal com a história.
— Desde antes de ser ator, ainda na escola, essa época sempre me fascinou. Embora eu não tenha vivido, meus pais viveram essas décadas. Por isso não parecia algo tão longe.
Exibido sob aplausos no Festival de Cannes, o filme acompanha Marcelo, vivido por Wagner Moura, um homem que foge de um passado misterioso em São Paulo e tenta recomeçar a vido no Recife — sem saber que a cidade esconde, em pleno Carnaval, um labirinto de espionagem e caos. O artista destacou o momento fértil que o audiovisual brasileiro atravessa.
— Esses dias vi na internet uma figurinha superinteressante que era um cara cavando um túnel e ele descobre uma superfície diferente da que ele estava cavando, mas parece pequena, e na imagem seguinte essa superfície era gigantesca e lá tinha o nome “cinema nacional”. O “Ainda estou aqui” foi um marco e agora, com a campanha linda que “O agente secreto” está fazendo, não só atrai as pessoas para assistirem ao filme como também revisitarem o cinema nacional, que é gigantesco — contou.
A estreia dos filmes nos cinemas brasileiros será no dia 06 de novembro. Para o ator, “O agente secreto” se soma a uma nova leva de produções que revisitam o passado com novas lentes:
— O Brasil até teve uma leva de filmes retratando essa época tempos atrás, mas os mais recentes, como o “Marighella” do Wagner Moura, o “Ainda estou aqui” (de Walter Salles) e o “O agente secreto” são pontos de vista diferentes de uma mesma temática. Uma das coisas mais interessantes que eu ouvi do Kleber é que você não vê ninguém falando a palavra ditadura no filme. É um filme sobre a atmosfera da época, sobre o que era viver naquele tempo.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e reprodução / Internet (imagem)





