O adeus à diva

setembro 11, 2025

Angela Ro Ro terá a missa pelo sétimo dia de sua morte celebrada em igreja no bairro onde a artista viveu, no Rio de Janeiro

A missa pelo sétimo dia da morte de Angela Ro Ro será celebrada na próxima terça-feira (16), às 19h, no Rio de Janeiro. Ahomenagem será restrita a amigos e a familiares, e o local escolhido é a Igreja da Ressurreição,na divisa entre Copacabana, bairro onde a artista viveu, e o Arpoador, frequentado por ela na juventude e no início de sua carreira. Foi naquela praia onde Angela conheceu Glauber Rocha (1939-1981), um dos principais nomes do Cinema Novo.

Angela Maria Diniz Gonçalves tinha 75 anos e faleceu, na última segunda-feira (08), como noticiado em primeira mão por NEW MAG em razão de uma parada cardíaca no Hospital Silvestre, onde estava internada desde junho deste ano. O quadro inicial era o de uma infecção pulmonar que acabou agravada, levando a artista a apresentar também complicações renais e a precisar passar por uma traqueostomia, entre outros processos.

O nome de Angela Ro Ro figura no panteão das mais importantes compositoras da música brasileira, ao lado de nomes como Rita Lee (1947-2023), Sueli Costa (1943-2023), Joyce Moreno e Fátima Guedes.

Sua estreia fonográfica dá-se em 1979, com o LP “Angela Ro Ro”, que trazia obras-primas como “Gota de sangue”, “Tola foi você”, “Não há cabeça” e “Amor,meu grande amor” (parceria com a letrista Ana Terra), que ganharia as rádios do país ao ser incluída na trilha  da novela “Água viva”, de Gilberto Braga (1945-2021) como tema dos personagens de Fábio Jr e Glória Pires naquele ano de 1980.

Suas canções foram imortalizadas nas vozes de grandes nomes da música. Maria Bethânia imortalizou duas delas: “Gota de sangue”, lançada por ela no LP “Mel” (1979) e “Fogueira”, incluída em “Ciclo”, de 1984. A cantora homenageou Ro Ro, como antecipado aqui, no show com que celebra seus 60 anos de carreira e que estreou no Rio de Janeiro no último fim d semana.

Elo entre a MPB tradicional e os artistas que tomariam a cena pop nos anos 1980, Ro Ro teve suas canções interpretadas por nomes como Marina Lima – que gravou “Não há cabeça” no seu álbum de estreia, lançado também em 1979 –, Cazuza (1958-1990), seu parceiro em “Cobaias de Deus”; Léo Jaime (“Tola foi você”) e Barão Vermelho (“Amor, meu grande amor”).

Quando o país vivia sua abertura política na década de 1980, Angela foi dos primeiros nomes a falar abertamente sobre seus desejos, sua libido e sobre homessoxualidade. Ela fez um retrospecto sobre esse pioneirismo em entrevista ao NEW MAG, publicada em agosto de 2022 e cuja íntegra pode ser lida aqui.

“Sair do armário é sempre um grande negócio”, declarou na ocasião, relembrando os obstáculos que precisou transpor: “Na minha época foi barra, pois o país ainda estava sob uma ditadura. Hoje, há um esclarecimento maior em relação a isso”.

“A vida é passageira”, declarou a cantora na letra de “Fogueira”, mas o mesmo não vale para o amor que sua legião de admiradores tem por ela e por seu legado.

Viva Angela Ro Ro!

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagem)

 

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