Ele é carioquíssimo. E superou gigantes da concorrência. O funk desbancou o K-pop e ajudou a colocar o Brasil em um novo patamar na indústria da música global. Pela primeira vez na história, o país aparece entre os oito maiores mercados de música gravada do mundo. Os dados estão no Relatório Global de Música 2026, da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).
O avanço não aconteceu por acaso. Além da força histórica da produção musical brasileira, os números mostram uma indústria que aprendeu a se reinventar nos últimos anos — especialmente no ambiente digital. Em 2025, artistas brasileiros movimentaram cerca de R$ 2 bilhões apenas no Spotify, um crescimento de 24% em relação ao ano anterior.
O dado chama atenção porque o ritmo de crescimento dos royalties pagos a artistas brasileiros foi quase o dobro da taxa do mercado como um todo. E esse dinheiro não está concentrado apenas nos nomes mais populares: o número de artistas brasileiros que geraram mais de R$ 1 milhão na plataforma mais que dobrou nos últimos três anos.
Entre os gêneros que ultrapassaram US$ 50 milhões em royalties no Spotify no mundo, o funk brasileiro liderou o crescimento no último ano, com alta superior a 36%, à frente do K-pop, que registrou crescimento de pouco mais de 31%. Trap latino, urban latino e reggaeton aparecem na sequência.
Outro movimento importante envolve os artistas independentes. Os royalties destinados a músicos e selos independentes no Brasil já superam a média global registrada pelo aplicativo de música, sinalizando um mercado cada vez menos dependente das grandes gravadoras. O recado é claro: cada vez mais, o público global escolhe o que quer ouvir sem se limitar ao idioma ou à origem geográfica. E o Brasil, ao que tudo indica, entendeu bem esse movimento.





