Osmar Prado tinha de 11 anos quando fez sua primeira aparição na TV. A estreia foi em “David Copperfield”, novela infantil inspirada no clássico de Charles Dikens (1812-1870) e exibida pela TV Paulista em 1958. No teste, o menino contracenou não com uma atriz, mas com a novelista Enia Petri e um fato inusitado foi decisivo para o diretor Líbero Miguel aprovar o garoto.
— Durante a cena, derrubei uma luminária da mesa, e, sem perder a fala, abaixei e a coloquei de volta no lugar. Quando o diretor gritou que eu estava aprovado, aleguei que havia errado ao derrubar o objeto, no que ele me demoveu dizendo que o fato de eu não ter perdido o texto fez a diferença – diverte-se Osmar.
O fato foi narrado por ele a amigos – e testemunhado por NEW MAG – após o ator conferir a estreia carioca de “O elogio da loucura”, solo no qual Leona Cavalli brilha sob a direção de Eduardo Figueiredo. Osmar e o diretor trabalharam juntos em “O veneno do teatro” e pelo que o ator deixou escapar, uma nova parceria está sendo gestada. A empreitada é guardada a sete chaves pelo veterano, que fala com bom humor de como eles se aproximaram.
— O Eduardo me procurou dizendo que gostaria de me enviar um texto do Rodolf Sirera (dramaturgo espanhol contemporâneo). Disse a ele que não tinha ideia sobre quem era o autor, mas que ele me enviasse o texto assim mesmo. Li, adorei e fomos trabalhar juntos – recorda-se Osmar em depoimento ao site. — É só no teatro onde a gente se encontra – reitera ele, que contracenou na montagem com Maurício Machado.
Se o novo projeto é um segredo bem guardado, ele certamente vai coroar os 80 anos que o grande ator completa em 2027. A saúde é mantida com exercícios diários (“Corro todos os dias”), o que faz com que o artista mantenha sua independência sem o auxílio de acessórios.
A paixão pelo motociclismo mantém-se inabalada, garante, ainda que não possa mais saracotear por aí pilotando uma das duas máquinas que mantém na garagem de casa. As motocicletas – uma BMV R110 e uma CB 400, esta de 1980 – estão tinindo de tão bem cuidadas que são, como o ator faz questão de frisar, mostrando imagens delas no celular.
— Tenho de liga-las de quando em quando. São máquinas, né? Se não fizer isso, elas param de funcionar. São como a gente – arremata.
E certas gentes, como Osmar Prado, tem o dom de nos emocionar. No palco, nas telas e na vida.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Eny Miranda (imagem)





