Christiane Torloni usou sua voz para fazer um apelo à tolerância, ao respeito às diferenças e à preservação do meio ambiente. Engajada em pautas políticas e ambientais, a atriz publicou um vídeo em uma rede social nesta terça-feira (03) no qual critica atitudes de violência motivadas por divergências políticas, defende os povos indígenas e cobra respeito à Constituição e às instituições democráticas.
— Acho que a gente vai precisar criar um novo movimento no Brasil agora, chamado: “Não gostou? Vai embora” — propôs a atriz. Em tom irônico, ela imaginou situações em que a insatisfação com resultados políticos ou esportivos se transforma em justificativa para agressões.
— Eu não gostei do resultado do campeonato de futebol. Chego lá em casa, espanco a minha mulher, que ela é mais frágil, minoria, vai apanhar — exemplificou.
Na sequência, levou a crítica ainda em tom de ironia para os episódios de violência política e intolerância religiosa:
— Eu não gostei do resultado das eleições, então eu vou lá, invado a Esplanada, quebro tudo. Ou então, em retaliação, vou lá, invado a comunidade indígena, queimo uma casa de reza, porque agora também sou intolerante religioso.
Torloni também recorreu à Constituição de 1988 para lembrar o reconhecimento dos povos indígenas como brasileiros e a presença dessas populações no território muito antes da colonização. A preocupação ambiental ganhou espaço quando a atriz mencionou as queimadas na Amazônia e os efeitos das mudanças climáticas.
— Estamos vivendo o resultado da nossa ignorância civilizatória, estamos vivendo o pior El Niño de todos os tempos. Temos tempestades, inundações históricas ou temperaturas absurdas — disse.
Ao comentar o processo eleitoral, Christiane destacou o caráter pacífico das manifestações e pediu respeito ao resultado das urnas.
— As eleições aconteceram, deram uma lição para o mundo. Uma lição pacífica. Prós e contras foram para a rua dizer o que nós queríamos pacificamente. O presidente foi reeleito. Aceitemos ou não, vamos ser civilizados — declarou.
A atriz ainda chamou a atenção para as ameaças contra comunidades indígenas:
— Ameaça de envenenamento já é crime. Não é para a pessoa ser notificada, é para ser presa — alertou.
Torloni defendeu que o país concentre esforços em áreas como educação, ciência, saúde pública e economia.
— Nós temos que trabalhar pela educação desse país, pela evolução das ciências, das nossas escolas públicas, das nossas universidades, dos nossos hospitais — afirmou. Incomodada com a continuidade das disputas, completou: — As eleições já aconteceram, vamos trabalhar. Não gostou, vai embora. Pega um jatinho, vai embora. Vai lá na boleia de um caminhão, vai embora.
O posicionamento faz parte de uma trajetória de engajamento que acompanha Christiane há décadas. A atriz participou da campanha das Diretas Já, nos anos 1980, movimento que mobilizou o país pela retomada das eleições presidenciais diretas. Também é ativista ambiental e esteve à frente da campanha Amazônia Para Sempre, criada para chamar a atenção para a devastação da floresta. Em 2019, dirigiu, ao lado de Miguel Przewodowski, o documentário “Amazônia – O despertar da Florestania”, dedicado à preservação ambiental e à relação dos brasileiros com a região.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Danilo Borges (imagem)





