‘Fomos silenciadas por séculos’

novembro 28, 2025

Patrícia Marx estreia show unindo sucessos a temas em que mostra faceta politizada

Passava pouco das 20h quando as cortinas do Teatro Rival Petrobras abriram-se ao som de “Abre-alas” cantada por uma Patrícia Marx diferente. O canto continua primoroso, mas, aos 51 anos, a ex-vocalista do Trem da Alegria cresceu. E mostra sua faceta politizada e humanista no novo show, dirigido pelo poeta e jornalista Christovam de Chevalier a partir do roteiro elaborado por ele juntamente com ela.

— Estamos aqui para cantar um Brasil que é do Ivan, e que também é meu e é nosso — declarou após botar o público que lotava a casa para cantar em coro com ela “Charme do Mundo”, numa homenagem a Antônio Cícero e aos 70 anos de Marina Lima.

Homenageado pela cantora no seu mais recente trabalho, Ivan Lins fez-se presente com a balada “Vieste” e com a salsa “Ai, aí, ai, ai”, na qual Patrícia esbanjou sensualidade no palco iluminado nas cores do arco-íris, símbolo da luta LGBTQIA+.

Ivan deu o tom também no set político do show, aberto com “Deixa eu dizer”, a dos versos “Deixa, deixa, deixa/ Eu dizer o que penso dessa vida/Preciso demais desabafar”.

— Somos pouco mais de 100 milhões de mulheres no Brasil. Fomos silenciadas e invisibilizadas por séculos. Hoje nossa voz é audível em diferentes pontos do país. E, juntas, podemos fazer dele um lugar democrático e ainda mais diverso e inclusivo, aos negros e à comunidade LGBTQIA+, da qual faço parte. Não, não vou me calar — declarou dando a deixa para “Aparecida”.

Já “Cartomante”, cujo desfecho traz os versos “Cai o Rei, cai o Rei/ Cai, não fica nada”, arrancou do público gritos de “Na Papuda!” em alusão à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

E a grande surpresa da noite veio em seguida. Precedida por um solo de bateria de André Fernandes, cuja banda incluiu ainda Bruce Lemos no teclado e Fábio Lessa no baixo, “É preciso dar um jeito” (Erasmo Carlos), tema do premiado “Ainda estou aqui”, foi recebida com aplausos e gritos de aprovação.

Os sucessos da artista estão lá e serviram bem ao roteiro da apresentação, num equilíbrio entre tensão e leveza. Patrícia Marx não é mais aquela. Ela cresceu e demonstrou, na noite da última quinta-feira, que tem muito a dizer. Os dias são agora assim.

Crédito das imagens: Luan Lopez

Patrícia Marx e Paulo Massadas
Luiz Fernando Coutinho, Patrícia e Liège Monteiro
Figurino da cantora foi criado pelo stylist Gui Orland
O casal Ito Melodia e Maria do Carmo Coelho com Patrícia

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