‘Eu quero é mais’

julho 6, 2026

Mosquito fala sobre o desafio de viver Zeca Pagodinho no cinema e diz ter sido picado pela mosca da sétima arte

Ele é na dele. E, discreto, chega a uma casa de shows na Zona Sul do Rio de Janeiro na noite de uma sexta-feira fria. Estamos falando de Mosquito, jovem talento do samba que conta com a admiração de medalhões como Caetano Veloso. Presença crescente em rodas de samba pela cidade, o artista está de folga naquela noite. E, acompanhado pela namorada, a empresária Brenda Valansi, procura sem chamar atenção a mesa onde assistirão ao show de outro nome promissor do segmento, o da cantora Karinah.

É também assim, no sapatinho, que Mosquito pisa outro terreno onde certamente vai brilhar: o do cinema. Ele interpreta Zeca Pagodinho em “Deixa a vida me levar”, cinebiografia do cantor dirigida por Silvio Guindane. As filmagens consumiram cinco semanas e foram realizadas neste primeiro semestre no Rio de Janeiro.

O longa marca também a estreia de Mosquito no segmento. E, como ele conta ao NEW MAG, a experiência não o intimidou. Ele credita isso ao profissionalismo da equipe e à preparação que precedeu as filmagens.

— Eu me preparei intensamente ao longo de dois meses. Quando as filmagens começaram, eu já estava totalmente imbuído da atmosfera do personagem e com sede de atuar – conta Mosquito, reiterando que não descarta a possibilidade de voltar ao set se novamente convidado: — Adorei fazer cinema. Foi uma experiência muito bacana!

Diante da alegação da reportagem de que ele pode cantar agora com propriedade “Não tem tradução”, Mosquito demonstrou conhecer (e não poderia ser diferente) o samba de Noel Rosa (1910-1937) ao cantarolar de bate-pronto: “O cinema falado é o grande culpado da transformação”….

E pode ser que seja mesmo o culpado por abrir mais um campo de atuação para o talentoso artista, nascido Pedro Assad Medeiros Torres. O longa revisita momentos marcantes da vida de Zeca Pagodinho como o célebre show feito por ele no antigo Metropolitan (hoje Qualistage), em 1995, ano em que o artista atingiu com o álbum “Samba pras moças” os píncaros de vendagens de CDs. A cena foi, aliás, a última rodada por Mosquito no cronograma das filmagens.

— Essa foi minha última cena, o que não significa que seja a última do filme. Só não vou contar como o filme termina para não dar spoiler – diverte-se.

Indagado se pode, a exemplo de outros astros da música, enveredar também pela TV, o bamba responde sem pestanejar:

— Meu amigo, se me chamarem para cantar aqui em frente, na Praia de Copacabana, eu vou! Eu quero é mais!

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reproduções/ internet (imagens)

Mosquito filma a cena que reproduz o histórico show de Zeca no hoje extinto Metropolitan

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