O nome dela é Gal. Maria das Graças Pena Burgos para ser mais exato. Mas o mundo a conhece pela alcunha de Gal Costa (1945-2022). E este nome será reavivado pelos muitos fãs da saudosa artista nesta sexta-feira (17). Na ocasião – e como antecipado aqui – chegará às plataformas o registro daquela que acabou sendo a derradeira apresentação da artista, que viria a falecer dois meses depois.
Gravado no dia 17 de setembro de 2022, “As várias pontas de uma estrela (Ao vivo no Coala)” traz a performance daquela que é uma das maiores cantoras brasileiras no Coala Festival, numa noite que contou ainda com as participações de dois talentos da nova cena musical: Rubel e Tim Bernardes, ao lado dos quais a intérprete gravara naquele que foi seu derradeiro álbum de estúdio e com o qual celebrou seus 75 anos, “Nenhuma dor”.
Idealizador ou mesmo produtor dos últimos projetos realizados pela cantora, Marcus Preto lembra o quão antológica foi a performance da estrela naquela noite. E credita isso a dois fatores: a represada saudade da artista em reencontrar seu público, composto ali em grande parte por jovens.
– O show teria acontecido dois anos antes, em 2020, mas foi adiado um par de vezes por causa da pandemia. Essa volta para a vida, para a rua, deixou Gal com um gás danado, e a apresentação no Coala estava coroando tudo isso, de alguma maneira – revela Preto, destacando ainda o efeito provocado na artista: – Ela saiu do palco empolgadíssima com o público, predominantemente jovem, e com a própria performance naquela noite.
O registro ao vivo chega às plataformas de áudio e vídeo pela Biscoito Fino num projeto gráfico assinado pelo poeta e artista visual Omar Salomão. Na arte, os lábios – marca registrada da diva – aludem também ao legado do pai de Omar, o poeta e letrista Waly Salomão (1943-2003), que trabalhou com Gal no álbum “Plural”, cujo encarte trazia um texto do escritor sobre a pintura da boca da artista.
E o show no Coala não seria somente inesquecível para a cantora, mas para seus convidados, como lembra Rubel, a quem coube dividir os vocais com a anfitriã em “Como dois e dois”, de Caetano Veloso:
– Havia algo de diferente no ar. Um tipo de emoção à flor da pele que não se explica. Eu estive com Gal umas quatro vezes, mas nesse dia algo nela reluzia de maneira diferente. Hoje, penso que talvez fosse uma intuição de que aquele seria o seu último show. Gal era muito espiritualizada e parecia ter clareza sobre os mistérios. Poder acompanhá-la em sua despedida foi o maior presente que a música me deu.
Presente que poderá ser compartilhado entre os admiradores desta cuja voz é ainda tamanha. É e sempre será.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Roncca (imagens)






