Doutores de responsa

junho 10, 2026

Integrantes do Paralamas do Sucesso e o músico João Fera recebem títulos na universidade onde o grupo começou

O ano era 1982. Herbert Vianna e Bi Ribeiro, então estudantes universitários, iriam se apresentar num festival de música na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica, Zona Oeste do município. Foi lá onde conheceram João Barone, que, a partir daquela noite, se juntaria aos dois numa empreitada que resultou em Os Paralamas do Sucesso, um dos mais importantes grupos do rock brasileiro. A trinca voltou à Rural 45 anos depois daquele primeiro encontro – e por uma causa mais do que nobre.

Herbert, Bi e Barone são agora Doutores Honoris Causa. O título foi outorgado a eles pela UFRJ e contemplou ainda o músico João Fera, que acompanha o grupo desde meados dos anos 1980. O auditório Gustavo Dutra, conhecido entre os estudantes da Rural como Gustavão, ficou lotado para a cerimônia, realizada na tarde da última terça-feira (09), das 14 às 16h.

A solenidade contou com a presença do reitor da UFRJ, Roberto Medronho. A iniciativa da homenagem partiu da Pró-reitora de Extensão da Rural, professora Maria Ivone Martins Jacinto Barbosa, ligada ao Instituto de Tecnologia daquela instituição.

— É uma honra sem tamanho estar vivendo essa cerimônia e a emoção decorrente de cada segundo de lembrança das conquistas e de cada passo que nosso trabalho tem tido – declarou Herbert, que começou a cursar Arquitetura no campus da Ilha do Fundão, Zona Norte do Rio de janeiro, abandonando o curso em razão da projeção alcançada pela banda.

Já a relação de João Fera com a Rural envolve sua família e remete a seus primeiros anos de vida. Seus pais moravam em Seropédica, e o músico foi batizado na capela daquela instituição. A mãe do músico trabalhou como lavadeira e tinha entre seus clientes alunos daquela universidade.

Outro que viveu com a família naquele município foi João Barone. O baterista, que chegou a iniciar o curso de Ciências Biológicas, na instituição, fez menção ao tempo passado ali na sua fala:

— Quero começar dizendo do enorme privilégio de minha família ter morado aqui nessa localidade. Deixamos a Rural faz muitos anos, mas levamos para sempre memórias intensas do tempo que passamos aqui, dos lugares, das pessoas e dos momentos marcantes. Essa é nossa casa.

E em se tratando de uma homenagem a quatro nomes ligados a uma das mais expressivos grupos do país, a cerimônia tinha de terminar em… música. Uma banda formada por professores da UFRJ homenageou o quarteto tocando sucessos do grupo como “Meu erro”, hit do segundo LP do grupo, “O passo do Lui” (1984), e “Aonde quer que eu vá”, single lançado para promover o álbum “Arquivo II” (2000).

E os novos doutores não ficaram só assistindo. Eles próprios encerraram as homenagens botando o auditório para cantar com eles temas como “Caleidoscópio”, “La bella luna” e “Você”, sucesso de Tim Maia (1942-1998) recriado pelo grupo no álbum “Selvagem”, de 1986.

Sim, eles são sessentões e, agora doutores, não perderam a verve roqueira daqueles garotos que, lá no século já passado, assaltaram a gramática e sequestraram a fonética, instaurando, assim, uma nova fala que se mantém perene na cena musical.

Créditos:  Christovam de Chevalier (texto) e reproduções/instagram (imagens)

Acabou em música: os Paralamas e João Fera se apresentam no auditório

 

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