
Eletrizante como um coral gospel. Acrescente a isso um quê da sonoridade disco dos anos 1970 e deliciosas piadas. O resultado da mistura é diversão garantida. Assim pode ser definida “Mudança de Hábito – A Divina Comédia Musical da Broadway”, espetáculo alçado do teatro ao cinema em 1992 e cuja versão brasileira estreou, na noite da última terça (14), no Rio de Janeiro.
A superprodução marca a estreia do cantor e ator Junno Andrade no segmento. E claro que Xuxa Meneghel, companheira do artista, foi prestigiá-lo. Pouco antes das 20h a apresentadora chegou ao Teatro Multiplan, na Barra da Tijuca, causando aquele alvoroço entre os presentes. Atendendo a TODAS as solicitações – e não foram poucos os pedidos de selfie – a Rainha fez um pit-stop antes de ocupar a plateia com familiares e ex-Paquitas como Andréa Veiga e Tatiana Maranhão, entre outras.
E Xuxa foi afetuosa com todos – de fãs a famosos como a cantora Wanessa Camargo, recebida pela Loura com um abraço, e com Miguel Falabella, ao lado de quem Xuxa fez questão de fazer foto. E só mesmo os empresários e promoters Liège Monteiro (com quem Xuxa fez questão de se deixar fotografar) e Luiz Fernando Coutinho para escalarem elenco tão estelar. Bravi!
E o espetáculo começou, e coube a Saulo Rodrigues abrir os trabalhos num prólogo recheado de cacos hilariantes. “Não sou o Padre Kelmon. Não sou o candidato-padre”, declarou em alusão ao folclórico candidato à corrida presidencial de 2022. Saulo deixou claro que a noite seria divertida –e foi.
E também emocionante. E isso se deve ao elenco, afinado (em ambos os sentidos) e coeso. E é louvável destacar o trabalho de duas senhoras cantrizes: Gottsha e Amanda Vicente. Enquanto a primeira confirma com sua Madre Superiora seu cacife de estrelona, a segunda acerta em cheio ao dar a sua Deloris Van Cartier o equilíbrio entre dignidade e descontração, privilegiando mais a humanidade do que a comicidade da sua personagem. Amanda Vicente brilha e reluz, estrela que é.
Afinco vale para todo o elenco, das freiras aos meganhas do empresário inescrupuloso interpretado por Junno e defendido por ele com hombridade. E o responsável por esta coesão é Tadeu Aguiar, diretor que alia sensibilidade e leveza a seu notório conhecimento de musicais.
Sim, “Mudança de Hábito – A Divina Comédia Musical da Broadway” é diversão (e emoção) garantidas, num resultado equilibrado entre apuro técnico e entregas cênicas genuínas. É para se deixar contagiar como num louvor. Um grito de “Aleluia” à arte teatral.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Eny Miranda (imagens)














































