Ricardo Stambowsky e Vanda Klabin têm se falado ao telefone dia sim, outro também. Nas conversas, volta e meia, o cerimonialista é lembrado pela amiga sobre seu novo status: “Ricardo, você é agora um artista visual”. E o público poderá ver que a curadora de arte não fala da boca para fora. Ricardo abre, aos 78 anos, mais um campo de atuação: o de artista pop. Isso mesmo. A nova faceta será mostrada em “Encontros improváveis”, exposição com suas colagens, no melhor estilo pop art, que inaugura na Galeria Patrícia Costa, no Rio de Janeiro.
O ofício veio à baila de forma discreta – e não poderia ser diferente em se tratando do cerimonialista. As colagens estão presentes nos cartões vendidos no bazar que ele e a mulher, Sueli, promovem a cada fim de ano. As peças são cobiçadíssimas e, incentivado por amigos, Ricardo dedicou-se mais ao novo prazer, possível através das coleções de revistas como Vanity Fair, Point de vue e The world of Interiors – a única preservada por ora.
— Estou adorando essa nova fase. A vida é uma caixa de surpresas e não somente a minha, mas a de todo mundo. Minha vida foi muito diversa e continua sendo – pontua ele, que faz as colagens sobre uma grande mesa, fruto da junção de duas escrivaninha, uma delas que pertenceu a seu irmão Alexandre.
E, numa analogia com o provérbio napoleônico, Ricardo veio, viu e venceu – em todas as áreas onde atuou. No início dos anos 1980, quando o rock começava a dar as caras no país (e no mundo), ele e Luiz Celso Monteiro de Andrade agitaram Juiz de Fora (MG) com a Factory. A discoteca, num galpão desativado de uma antiga fábrica da família de Luiz Celso, foi inaugurada por Lulu Santos e por lá passaram Marina Lima e Lobão, entre outros expoentes da cena pop.
— Por lá passaram também grupos como os Paralamas (do Sucesso), Ira! e Titãs. O espaço ia além de abrigar shows e implementávamos por lá ideias que via lá fora, em casas como a Studio 54 – recorda-se sem saudosismo.
O local bombou entre 1984 e 1986. No ano seguinte, a vida de Ricardo lhe reservaria outra boa surpresa. Mais exatamente o RP Sidney Pereira. Veio dele a indicação para Ricardo encarar o primeiro trampo como cerimonialista.
O desafio em questão foi o casamento de Ana Cristina Alves, filha do então deputado Ademar Alves Amorim. O ano era 1987, e a festa, no Copacabana Palace, reuniu de autoridades, como o então governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco, a nomes da sociedade e do… Carnaval.
— O pai da noiva era, além de político, ligado à Imperatriz Leopoldinense, e a festa reuniu 2.500 pessoas. Os personagens eram os amis diversos, com nomes das vidas cultural, social e política da cidade – diverte-se Stambowsky.
E a vida continuou a lhe surpreender. No início dos anos 1990, entusiasmado com a oportunidade de cobrir festas para uma emissora de TV, arregaçou as mangas e foi estudar Jornalismo. Na antiga Faculdade da Cidade, teve como colegas Alex Lerner e Lu Lacerda, seus amigos até hoje.
Ricardo não coleciona somente revistas, mas amizades. E estas são preservadas por ele e por Sueli com (muito) afeto e (zero) afetação. E, claro, atenção, commodity cada vez mais escassa nesses tempos em que conversas foram reduzidas a trocas de mensagens. Os tempos são outros. Muita coisa vai de mau a pior, mas a longevidade é vista por ele como um fato a ser celebrado.
— Completo 79 anos em dezembro e, no ano que vem, faço 80 anos. Se me dissessem que, com esta idade, estaria me reinventando, não acreditaria. Até porque, chegar aos 80 anos era o mesmo de você se tornar um cacareco – observa Ricardo, destacando ainda: — O mundo mudou muito, mas temos isso de bom: estamos vivendo mais, e a tendência é isso se manter uma vez que a medicina só faz avançar.
Algo que a medicina não está é parada. E o mesmo vale para Ricardo Stambowsky.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Vanda Klabin (imagem)






