Uma Vênus de Milo ressignificada – e reavivada. Assim pode ser classificada a aparição de Alice Wegmann no desfile-espetáculo apresentado por Helô Rocha na Rio Fashion Week. Se na TV a atriz sabe ser camaleônica – a Raíssa de “Rensga Hits” e a Solange Duprat de “Vale Tudo” não nos deixam mentir – Alice mostrou ser também na passarela uma metamorfose ambulante.
A escolha de uma atriz para o casting veio muito bem a calhar. Da mesma forma que Helô não segue padrões usuais nas suas criações, a apresentação ganhou ares de uma legítima apresentação teatral. Ou de performance, como pode ser mais adequado em se tratando de uma coleção de alta costura.
A alfaiataria off-white de caimento impecável misturou-se, na catwalk, a, com a licença de Rita Lee (1947-2023), sereias selenitas cujas curvas eram ressaltadas por saias e vestidos em que rendas e bordados eram mais do que peças-chave.
— É gratificante ver a Helô voltar à cidade para apresentar aquilo que ela sabe fazer muito bem: vestidos de festa e de noivas e daquela maneira disruptiva dela – pontua o jornalista de moda Alexandre Schnabl em depoimento ao NEW MAG.
Sim, a criadora de moda deu seus primeiros passos rumo ao estrelato no Rio de Janeiro. Foi aqui, mais exatamente na então Fashion Rio, onde ela debutou à frente da Teca, grife que comandou até fazer do seu próprio nome sua assinatura artística.
— É muito bom ver esses talentos voltando ao Rio quando a cidade está sob holofotes internacionais e quando o Brasil e a latinidade estão na moda –celebra Schnabl.
E esse retorno teve um quê de celebração. E, não por acaso, a apresentação foi encerrada ao som de “Eu só quero é ser feliz”, com o funk sendo reproduzido por um violino – e com uma modelo simulando tocá-lo ao fundo do palco-passarela.
Se Helô Rocha só queria ser feliz, conseguiu. E, com isso, contagiou o público que conferiu seu desfile-show.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reprodução/instagram (imagens)










