De uma Divina a outra

julho 14, 2026

Elizeth Cardoso é celebrada por Mônica Salmaso em álbum gravado num dia e cujo repertório foi azeitado em shows

Mônica Salmaso não imaginava que seria cantora quando viu Elizeth Cardoso (1920-1990) pela primeira vez na TV. Monica tinha então 15 anos quando teve sua atenção despertada pela veterana, que participava do programa “Chico e Caetano”, exibido pela TV Globo em 1986. Aquela menina cresceu e se tornou a dona de um dos mais respeitados timbres da nossa música. E tem as credenciais para, quatro décadas após ver a artista pela TV, reverenciá-la em um álbum.

— Lembro de ter assistido a um programa Chico e Caetano onde ela foi convidada. Ela era de outra geração e sua presença no programa me chamou a atenção. Era uma dama reverenciada com muito respeito. E o olhar dela para todos era simples, concentrado e feliz. Só entendi de verdade o tamanho da Elizeth quando fui fazer a pesquisa de repertório para nossa homenagem. Ali, me dei conta do tamanho da discografia desta cantora – pontua Salmaso.

E desta discografia, ela escolheu 13 das 16 canções de “Senhora das canções – Um tributo a Elizeth”, que chega às plataformas em agosto pela Biscoito Fino. O álbum foi gravado no Rio de Janeiro e num único dia, aproveitando a estada da cantora e de parte dos músicos na cidade em razão da temporada, ano passado, no Terças no Ipanema, projeto que voltou a promover shows musicais no antigo Teatro Ipanema, cuja fachada conta hoje com o acréscimo do nome do ator Rubens Corrêa (1931-1996)

— Achamos que seria bonito entrarmos no estúdio, concentrados, com o show quentinho e fazer um registro do trabalho. No dia anterior ao último show, fomos ao estúdio e gravamos o disco inteiro ao vivo. Foi uma sessão de gravação das mais lindas que já participei – festeja a cantora.

O repertório traz temas imortalizados pela homenageada como “Sei lá, Mangueira”, de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho; “Violão vadio” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro) e pérolas garimpadas como “Seresteiro” (Raul Moreno, Renato Lima e Zé Keti).

Há também licenças feitas pela intérprete ao somar ao roteiro temas afinados com o estilo da Divina. E elas incluem um tributo a Isaurinha Garcia (1923-1993), celebrada com “Deixa pra lá” (Dino e Meira), e duas de Paulo César Pinheiro: “Nossa Senhora do Silêncio” e “‘De Bem Com o Amor”, parcerias, respectivamente, com Mauricio Carrilho e com Luciana Rabello, dois dos músicos que acompanham a cantora no álbum. Já a “Carta de poeta”, Salmaso foi apresentada já no finzinho da temporada no Terças, projeto capitaneado por Kati Almeida Braga e por Flávia Souza Lima, como ela conta:

— O show tem uma canção muito difícil, ‘Valsa sem nome’. Estava na passagem de som do segundo show do “Terças no Ipanema”, quando comentei que era preciso coragem sempre pra cantá-la. Aí a Luciana e o Maurício disseram que, em shows, a Elizeth evitava cantar essa e ‘Carta de poeta’. Não a conhecia, eles me mostraram e caí de amores. É escandalosamente linda!

Como lindo será o tributo de Mônica a Elizeth. Afinal, discípula e maestrina estão em pé de igualdade. E ambas podem muito bem ser chamadas de Divinas.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagens montagem)

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