A inauguração, em 1989, foi com Carlos Lyra (1933-2023), então com 56 anos e em pleno vigor. E, pelo palco da casa, passaram outros remanescentes da bossa nova como Johnny Alf (1929-2010), Dóris Monteiro (1934-2023), Baden Powell (1937-2000), João Donato (1934-2023), Dori Caymmi e, claro, Maria Creuza, artista cujas apresentações naquele palco espraiam-se pelos 20 dos 30 anos de existência da casa.
Que lugar é esse afinal? Estamos falando do Vinicius, templo da bossa nova inaugurado nove anos após a morte daquele que é um dos pontos cardeais do gênero musical: o poeta Vinicius de Moraes (1913-1980). A casa, na rua também dedicada ao Poetinha, reabre suas portas após quase seis anos fechada.
A reinauguração, nesta quarta (23), será restrita a convidados com uma jam session no novo palco, cuja sala de shows, no mesmo segundo andar de antes, pode abrigar agora 150 espectadores. E, a partir de quinta (24), a agenda é retomada com uma merecida homenagem àquele que ajudou a tornar o segmento musical conhecido internacionalmente: Sérgio Mendes (1941-2024). E o tributo levará ao palco músicos à altura do homenageado: o pianista Marcos Ariel e o guitarrista Victor Biglione, o baterista Helbe Machado e a cantora Pri Vianna.
E ela, a mais longeva artista a se apresentar na casa, não poderia ficar de fora desta reabertura. Radicada na Argentina, Maria Creuza virá ao Brasil para três apresentações, neste fim de semana, do show em que relembra Vinicius – ao lado de quem excursionou nos anos 1970 – nos 45 anos de sua morte.
Numa cidade que perdeu alguns dos seus santuários da música, a reabertura do Vinicius precisa ser celebrada à altura. Então, como o próprio Vinicius imortalizou no seu “Poética (II)”, “entrai, meus irmãos”.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagens)






