Itaúna é uma cidade como pouco mais de 100 mil habitantes. O município, no Centro-Oeste de Minas Gerais, é famoso por produtos que vão do queijo coalho a iguarias como o cuscuz. Outro tipo de fome norteia também aquela população – e ela está relacionada à cultura. Em especial, pelo teatro. Tanto que, comumente, caravanas ou mesmo famílias rumam de lá para Belo Horizonte ou mesmo para São Paulo com o mesmo propósito: assistir a espetáculos teatrais.
Tal percepção chamou a atenção do ator e realizador cultural Fioravante Almeida. E, a partir da próxima sexta (08), haverá uma mudança nesse itinerário: grandes talentos da cena teatral vão aportar na cidade. Espetáculos estrelados por nomes como Daniel Dantas, Leona Cavali e Gabriel Braga Nunes estarão na Mostra Itaúna de Teatro – Teatro para Todos, que, com patrocínio da J Mendes, ocupa a cidade mineira de 08 a 17 de maio com 14 atrações, entre peças, painéis e ações em escolas.
— É uma satisfação muito grande realizar esta mostra. Itaúna é muito rica culturalmente, nos âmbitos de shows e de cinema, além de ser muito comum eles irem a Belo Horizonte para consumir cultura. E o mesmo acontece em relação a São Paulo – explica Fioravante apontando para o interesse daquela população por produções teatrais: — É comum em São Paulo encontrarmos caravanas vindas daquela região de Minas ou mesmo famílias viajando juntas para ver um determinado artista, e quis inverter esse jogo.
E, pelo visto, conseguiu. Para tanto, foram necessárias doses de paciência e persistência. A ideia era a de ter levantado a mostra em 2023, mas uma questão estrutural em um dos equipamentos da cidade levou o realizador a adiar os planos, como ele rememora:
— Eu queria já tê-la realizado de 2022 para 2023, mas não foi possível pelo fato de o teto do principal teatro da cidade estar comprometido. Um laudo técnico nos impedia de utilizar aquele e espaço. Eu poderia ter realizado a mostra em escolas e em espaços alternativos, mas precisava do teatro por conta desses espetáculos que estamos trazendo, de grande destaque no país, alguns deles já de grande sucesso e outros que acabaram de estrear como o do Kafka.
O escritor austríaco tem três dos seus contos utilizados em uma das principais atrações do evento. “Subversão Kafka” marca o feito de reunir num projeto talentos de uma mesma família. Ricardo e Caio Blat dividem o palco na encenação, cuja dramaturgia é amarrada por Rogério Blat, irmão de Ricardo e primo de Caio.
Além de reunir grandes nomes da dramaturgia, o festival tem também a proposta de ser inclusivo ao destina-se a um público que abarca de estudantes a trabalhadores rurais, como o curador destaca:
— Temos espetáculos pensados para a Zona Rural da cidade e para o público das escolas. Estamos levando “O Alienista” (adaptação do conto homônimo do Machado de Assis), cujo texto inspira questões do Enem. Tudo isso sem falar nos eventos nas praças públicas, com direito a show do Guizé (o ator Sérgio Guizé, como noticiado aqui), que considero inovador, uma vez que promover apresentações com atores que cantam não é usual em outros festivais.
O cardápio é o mais sortido possível. Além da sensação de orgulho, a perseverança, outra de suas características, fez toda a diferença para Fioravante não desistir do sonho.
— Foi desafiador esperar dois, três anos para realizar o projeto e, agora, está sendo uma honra ver a mostra funcionando. É um filho que nasce. Fico feliz por ver esse sonho realizado e por entregar isso à cidade – arremata ele.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Moises Pazianotto (imagem)






