‘Balanço é algo definitivo’

julho 8, 2025

Lino Villaventura tem seu legado celebrado em exposição e avalia sua inspiradora trajetória como criador de moda

Um homem do seu tempo e de todos os tempos. Do agora e do sempre. Assim pode ser definido Lino Villaventura. Um dos mais originais criadores de moda brasileiros tem duas belas razões para celebrar. Afinal, são cinco décadas de trajetória no segmento e 47 de criação da marca, que tornou seu nome conhecido no país e fora dele.

As duas efemérides pedem uma celebração – e ela acontecerá. Se pensou num grande desfile, enganou-se. A arte e o legado do estilista serão celebrados num museu. Isso mesmo. E o lugar não poderia ser mais apropriado para um nome da moda: o Museu da Fotografia Fortaleza(MFF), onde a exposição será inaugurada no dia 16 deste mês, com a visitação aberta ao público no dia seguinte.

Com curadoria de Denise Mattar, a mostra traz as peças do estilista registradas por 12 fotógrafos, todos relevantes. São nomes como Bob Wolfenson, Tripoli, Cecília São Thiago, Miro e Patrícia Calfat, entre outros.

– Todos os fotógrafos escolhidos são muito importantes para mim. Tenho uma gratidão imensa por cada um deles. O trabalho de cada um é magnífico e só veio a engrandecer o meu produto – reconhece Lino, que  confessa ter interferido pouco na escolha das imagens: – As escolhas partiram da Denise Mattar (curadora) com o aval do Régis (Vieira, diretor criativo da marca). Ia concordando com o que eles iam escolhendo e sugeri uma ou outra foto apenas.

Marina Dias e Lino Villaventura

O estilo low profile foi adotado também em relação aos figurinos que completam a mostra. Partiu de Mattar a escolha dos 23 looks que compõem a exibição, cujo cerne é o do olhar dos fotógrafos, como ele ressalta:

– As roupas estão ali mais para exemplificar o que estará sendo mostrado pelas fotos.

A exposição acontece num dos mais importantes museus dedicados à fotografia no país (“O acervo deles é espetacular”, destaca), mas o fato de ser em Fortaleza tem um valor simbólico para o estilista. Nascido em Belém, Lino viu na capital cearense o polo ideal para suas criações.

– Tinha de 17 para 18 anos quando comecei na moda e ,em Fortaleza, é onde mantenho minha fábrica e de onde saem minhas criações – explica ele, que divide-se entre a cidade nordestina e São Paulo, de onde falou com NEW MAG por telefone: – Aqui (em São Paulo) é onde estão as parcerias e onde fecho negócios que envolvem o restante do país.

Figurino criado para Ney Matogrosso

E, por conta da ponte-aérea, é provável que a exposição seja levada àquela capital. O Rio de Janeiro também está nos planos de Lino,que tem amigos na cidade, onde deixou parte do seu acervo, aliás.

– Doei algumas das minhas peças para o Instituto Zuzu Angel, administrado pela (jornalista) Hildegard Angel. Quem sabe não levo a mostra para lá? – propõe, maroto.

Enquanto esse martelo não é batido, a palavra de ordem é celebrar – e motivos não faltam. Mesmo com este belo e significativo retrospecto, Lino evita fazer um balanço da própria trajetória:

– Um balanço é algo definitivo. Vou, ao longo da vida, sendo lembrado pela minha trajetória e por tudo o que me levou a trabalhar com moda. E a minha trajetória é a da minha vida, e a vida está aí…

A vida e o tempo. E, como naquele poema do Vinicius de Moraes (1913-1980), o tempo de Lino Villaventura é quando.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), Bob Volfenson, Cesar Dutra e Miro (imagens)

Sem gravidade: O estilista e uma manequi fotografados por Miro

 

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