‘Aquilo ia ficar perdido’

julho 10, 2025

Autor do documentário sobre Cazuza, Nilo Romero fala de como conheceu o poeta e destaca depoimento de Frejat

Já fazia tempo que Nilo Romero carregava uma vontade: mostrar um outro lado de Cazuza (1958-1990). Não apenas o artista visceral, mas o amigo doce, provocador, resiliente — com imagens que estavam guardadas e poderiam se perder para sempre.

Em entrevista exclusiva ao NEW MAG, o diretor de “Cazuza: Boas novas”, que chega aos cinemas na próxima quinta-feira (17), fala de onde surgiu a ideia de produzir o documentário sobre o cantor — do qual foi baixista e é parceiro em canções como “Brasil”, tema de abertura de “Vale tudo”. 

— Sabia que existiam cenas inéditas e tinha a impressão de que, se não me movimentasse, aquilo ia ficar perdido. E ninguém ia mexer — conta Nilo. 

Algumas dessas cenas estão em um material raro encontrado pelo músico e produtor. Um deles, a gravação caseira de um show completo filmado por George Israel em VHS. Em outro, o casamento de George também entra em cena, com Cazuza já doente, rodeado de amigos como Herbert Vianna, João Barone, Paula Toller, Léo Jaime e tantos outros tocando juntos num palco improvisado.

As entrevistas se somam ao documentário, que tem depoimentos de nomes como Ney Matogrosso, Gilberto Gil, e Lucinha Araújo, mãe do cantor. Uma delas mexeu especialmente com o diretor: a de Roberto Frejat, seu amigo pessoal. 

— O Cazuza não seria o Cazuza sem o Frejat também. Às vezes acho que ele é um pouco negligenciado nessa história. A entrevista foi muito emocionante. Nunca tinha visto ele se emocionar daquele jeito. Ele falou pra mim: “essa entrevista só você poderia ter feito”, e isso me tocou profundamente.

Nilo relembra como conheceu Cazuza, ainda na juventude, pelas praias do Rio de Janeiro:

— Sabia que aquele cara era muito louco, rodeado de gente, provocador, mas quando o conheci, vi como ele era doce, um amor de pessoa. Provocativo, principalmente quando bebia, mas sempre um amor. Não tinha o menor problema de pedir desculpa quando fazia algo errado.

A intenção do diretor é também histórica. Ele acredita que, ao revisitar a vida e a obra do poeta, abre-se uma janela para que novas gerações entendam o tamanho do artista. 

— Não encontro nenhum paralelo hoje em dia, em termos de rebeldia, no bom sentido da palavra. Acho importante que as pessoas o conheçam, para saber que dá para fazer. Existem compositores maravilhosos, como o Chico César, o Paulinho Moska, o Arnaldo Antunes… Pessoas muito brilhantes e que fazem muito bem, e outros da nova geração também, mas o conjunto da obra, da personalidade, não há nada parecido. É importante que as pessoas conheçam até historicamente, para partir dali e saber que as coisas podem ser feitas daquela forma — arremata.

Créditos: Bruno Nunes (texto) e reprodução (imagens)

Nilo Romero é produtor musical, compositor, baixista e diretor de “Cazuza: Boas novas”

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