Pietro Cadete desde cedo já vem mostrando que deseja trilhar um caminho próprio na arte — ainda que carregue um sobrenome conhecido do público. Nesta quarta-feira (06), o ator estreia a curta temporada do monólogo autoral “Minha última refeição”, no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Escrito em parceria com o dramaturgo Fábio Severo e dirigido por Tatiana Henrique — que deu uma nova cara à peça, o espetáculo marca a primeira experiência de Pietro como autor no teatro e parte de questões bastante íntimas. Em entrevista exclusiva ao NEW MAG, ele conta que a peça nasceu de um desejo urgente de se colocar no mercado, mas também de revisitar dores pessoais.
— Sinto que nasceu de dois lugares. Primeiro de uma necessidade de me produzir, de mostrar minha arte para o mundo. E também de um lugar de cura, porque é um espetáculo que aborda muitas dores que eu tenho dentro de mim, muitas cicatrizes que podem ser curadas em cima de um palco. É olhar para essa cicatriz e transformar ela em algo bonito — explica.
A montagem usa a culinária como fio condutor para discutir temas como maternidade, família, solidão e pertencimento. Em cena, o personagem revisita memórias afetivas enquanto enfrenta ausências e conflitos familiares.
— É um espetáculo que fala muito sobre maternidade, família e os tipos de solidão que a gente carrega com nós mesmos. Também fala dessa busca por se sentir bem com as pessoas que você ama e com a sua própria companhia — resume.
Apesar de já ter lançado um livro ao lado do pai, Pietro revela que escrever para os palcos trouxe um novo tipo de responsabilidade — ainda maior por também estar sozinho em cena:
— Estou fazendo de tudo para não surtar (risos). Quando a gente estreia, as pessoas vão me ver sozinho ali no palco, mas existe uma equipe enorme por trás disso. E tem meu nome assinado como ator e como escritor. Dá um nervosismo, claro. Se não tivesse, não seria normal.
Filho do ator Rainer Cadete, Pietro também falou sobre como a relação entre os dois ganhou novos contornos com a profissão em comum. Ele não esconde a admiração pelo pai e revela um sonho antigo.
— Observo meu pai desde muito pequeno e ele é uma grande referência para mim. Se um dia eu conseguir chegar à metade da técnica e da pessoa que ele é, já vou ficar muito feliz. Um dos meus maiores sonhos é dividir uma narrativa com ele, fazer palco com meu pai um dia.
O jovem ator ainda contou que Rainer acompanhou a estreia da peça em São Paulo e não conseguiu segurar a emoção:
— Ele chorou horrores. Ficou a peça inteira chorando. Perdi as contas de quantas vezes ele falou a palavra orgulho naquele dia. Foi muito emocionante.
Agora, Pietro se prepara para apresentar ao público carioca uma nova versão do espetáculo — e com a família na plateia.
— O que foi feito em São Paulo não tem nada a ver com o que vai ser agora. Mudou muita coisa com a direção da Tatiana. E meus avós vão assistir também. Eu escrevi essa peça para eles, que foram as pessoas que me criaram. Meu coração está apertado, mas eu estou muito ansioso — arremata.
Créditos: Bruno Nunes (texto e entrevista) e reprodução / Instagram (imagem)





