Cazuza (1958-1990) estava naquela fase de transição entre a infância e a adolescência quando conheceu Simone. Para a Cigarra, “aquele garoto que iria mudar” a música no país, era visto ainda como o filho do João (Araújo, então presidente da Som Livre) e da Lucinha.
Acontece que Cazuza cresceu. Alçado ao estrelato como vocalista do Barão Vermelho, ele começava ali uma escalada que o levaria à consagração como um dos principais poetas da cena roqueira brasileira. E Simone – que nada tem de boba – incluiu canções do artista em seus LPs e em seus shows.
E a Baiana da Gema volta, esta semana, ao cancioneiro do Exagerado. A cantora estará entre os artistas escalados para homenagear o poeta no Prêmio da Música Brasileira, cuja cerimônia acontece nesta quarta-feira (10), no Rio de Janeiro.
NEW MAG descobriu que a artista vai interpretar “Quando eu estiver cantando”, parceria de Cazuza com o pianista João Rebouças. O tema foi incluído pelo cantor naquele que acabou sendo seu derradeiro álbum de estúdio, “Burguesia” (1989).
A Cigarra vai cantar também “Codinome beija-flor”, gravada por ela no LP “Sedução” (1988), que trazia também o rock “O tempo não para” (Cazuza/Arnaldo Brandão), incluída naquele mesmo ano na trilha da novela “O Salvador da Pátria”, da TV Globo.
Simone cantou em shows outras pérolas do amigo. São os casos de “Blues da piedade” (Cazuza/Frejat), incluída em espetáculo apresentado por ela na hoje extinta casa de shows Scala; “Brasil” (Nilo Romero, George Israel e Cazuza), presente em “Brasil – O show” (1997), e a supracitada “Codinome beija-flor”, incluída por ela no repertório que rendeu o álbum ao vivo “Feminino” (2002).
“Codinome beija-flor” representou outro momento antológico na História recente do país e da TV brasileira. O tema foi cantado em duo por Simone e por Cazuza no especial exibido pela Globo em 1989. E, na ocasião, a cantora acabaria por ajudar a quebrar um estigma. Especulava-se que o abraço poderia ser uma forma de transmissão do vírus HIV. E Simone, ao dar no cantor um afetuoso abraço, mostrou a milhares de telespectadores que aquele papo era pura falácia. Brava!
Créditos: Christovam de Chevalier (texto), Reproduções (alto) e Cristina Granato (imagem matéria)






