Maria Bethânia declarou voto em Lula após cantar “Sonho impossível”. O tema, de versos como “E, assim, seja lá como for/ Vai ter fim a infinita aflição”, tornou-se um libelo pela liberdade em diferentes shows da artista. E como isso se deu afinal?
A canção é uma versão de Chico Buarque para “The impossible dream”, do musical “O homem de La Mancha”, inspirado em “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes (1547-1616). O musical foi encenado no Brasil em 1974, em montagem estrelada por Paulo Autran (1922-2007) no papel-título e por Bibi Ferreira (1922-2019), como Dulcinea.
Bethânia conheceu o tema assistindo ao musical e tratou de incluí-lo no show “A cena muda”, espetáculo que, sob a direção de Fauzi Arap (1938-2013), questionava a Ditadura ao elencar em seu roteiro os temas criados por Chico e Ruy Guerra para o musical “Calabar”, censurado um ano antes.
Bethânia voltaria a interpretar “Sonho impossível ” no hoje histórico show apresentado ao lado de Chico, em 1975, no Canecão. O espetáculo inspirou um LP ao vivo lançado pela Philips naquele mesmo ano. A Abelha Rainha voltou à canção em outros momentos cruciais para a Democracia brasileira.
Um exemplo é o do show “A hora da estrela”, encenado quando o Brasil clamava por eleições diretas e caminhava para ter seu primeiro presidente civil, no caso Tancredo Neves (1910-1985). Tancredo não foi eleito pelo voto, mas escolhido por um colegiado.
“Voto é secreto”, declarou ela à Revista Caras quando indagada se votaria em Lula ou em Fernando Henrique Cardoso em 1994.
Bethânia declarou abertamente apoio a um candidato em 2018, quando deixou-se fotografar vestindo camiseta com o nome de Fernando Haddad, candidato do PT no pleito contra Jair Bolsonaro.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reprodução/Internet (imagem)






