O dono do baile

setembro 7, 2026

Péricles reafirma sua grandeza vocal ao interpretar clássicos da Motown em show criado para o Rock in Rio

Listen, baby! Por se tratar de um texto, melhor inicia-lo com um leia, bebê! A noite não era de rock, mas de soul, r&b e funk. O repertório era composto por clássicos – 15 ao todo – lançados pela Motown, gravadora que alçou ao estrelato artistas que consolidaram o que conhecemos como black music. E parte deste cancioneiro foi interpretado por aquele que é um dos mais qualificados cantores brasileiros. No samba ele se consagrou, mas, na noite deste segunda-feira (07), Péricles mostrou-se apto a cantar o que bem quiser. E ele deu uma belíssima demonstração disso no show “Péricles canta Motown”, apresentado no Palco Sunset e criado especialmente para o festival.

A noite foi aberta por carros-chefes de dois nomes-símbolos daquela gravadora: Marvin Gaye e Jackson 5. Do primeiro, atacou com Ain’t no mountain high enough (Nickolas Ashford/Valerie Simpson) e do coletivo do qual sairia Michael Jackson (1958-2009), “I want you back” (The Corporation). Os arranjos, fidedignos aos originais, podiam dar a entender que seria um show de covers. Não em se tratando de Péricles e da banda, capitaneada pelo pianista Maurício Piassarollo e da qual destacavam -se músicos como Jorge Aílton (baixo) e Wallace Santos (bateria)

A falsa impressão começou a ser dissipada com “How sweet is be loved by you” (Holland/Dozie). Ali, Péricles começou a mostrar que não estava de brincadeira. E com “My girl” (Smokey Robinson e Ronald White), deixou claro que não estava ali como crooner. E, além de reproduzir as linhas vocais originais, mostrou-se, com fraseados e agudos próprios, alguém vocacionado a cantar de tudo. E essa impressão foi corroborada com “Crussin” (Smokey Robinson e Marvin Tarplin), na qual os vocalizes de Péricles sobressaíram em conluio com os solos da guitarra de Helton Fagundes.

Péricles e o terno todo em risca de giz brilhosa

E Péricles voltou a evocar os Jackson (“I’l be there”) e Gaye (“Let’s get it on” e “I heard it through the grapevine”, gravada por este, mas lançada por Gladys Knight & The Pips) mesclando-as com temas de décadas seguintes como “End of the road”, do repertório do Boys II Men, e aquela que é precursora do funk proibidão, “Super Freak” (Rick James/Alonzo Miller).

Ainda da seara oitentista, Péricles trouxe “All night long”, sucesso de Lionel Ritchie que mostrava que, lá naquele 1983, o pop já acenava para o que ficaria conhecido como World Music. O número mostrava que o show estava perto do fim. E “ABC” (outra da safra Jackson 5) corroborou a suspeita. E a noite terminou em altíssimo astral, ao som de “Superstition”, o funk puro swing de Steve Wonder.

Seguro das letras e à vontade naquele repertório, Péricles mostrou as provas que levam-no a ser apontado como grande cantor.  Ele é plenamente capaz de cantar de tudo. De tudo mesmo.

O Rock in Rio ainda não acabou. Mas não é cedo para dizer que Péricles apresentou este que já é um dos melhores shows da edição 2026 do festival. E merece repeteco. Tomara que tenhamos nova(s) chance(s). Ou, como cantado por ele, one more chance.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reprodução/instagram (imagens)

A capa usada pelo artista com rostos de algumas das estrelas da Motown

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