‘Viria mesmo que a pé’

julho 30, 2026

Tanussi Cardoso reúne talentos da cena literária em lançamento que foi, apesar dos ventos, um grande sucesso
Tanussi Cardoso entre as poetas Carmen Moreno e Alice Monteiro

“Quem tem um amigo tem tudo”. Assim reza a letra de Emicida. E Tanussi Cardoso teve uma prova do quão verdadeira é a frase. No fim da tarde da última quarta-feira (29), quando o Rio de Janeiro começava a ser varrido pelos fortes ventos vindos do Sul, o poeta já estava a postos no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) para autografar “Absurdo coração” (Patuá), com o qual celebra os 80 anos que completou no início do ano.

O grande escritor reuniu talentos da Literatura contemporânea no lançamento, realizado na biblioteca (e tem lugar melhor a um poeta?) da instituição. E por lá passaram escritores e poetas de diferentes escolas e gerações, como Mano Melo, Alice Monteiro, Nuno Rau, Alexandre Brandão e Jorge Sá Earp, entre muitos outros.

O clima apreensivo do início do evento foi prontamente quebrado por Jorge Ventura. “Quem te trouxe foi Eolo?”, perguntava o poeta a cada convidado que chegava. A menção ao deus dos ventos não foi aleatória, uma vez que cada um dos presentes precisou enfrentar uma odisseia digna de Ulysses para chegar ali.

O poeta Mano Melo com o escritor

Com a internet claudicante, pedir um carro por aplicativo era o mesmo que achar uma agulha no palheiro. E com o metrô tendo interrompido sua operação, os que moravam em bairros próximos optaram por ir a pé. “Consegui um táxi na rua, mas viria mesmo que fosse a pé”, comentava Carmen Moreno, escritora e irmã do anfitrião.

Mano Melo precisou exercitar sua paciência. Morador da Ilha da Gigoia, na Zona Sudoeste da cidade, ele precisou esperar o Metrô normalizar seu serviço para chegar ao local. E dizia que havia contado com a ajuda de “uma moçona” que o puxara para o vagão. Se era conversa de escritor, ninguém ousou questioná-lo.

E o local foi, aos poucos, enchendo, com todos ocupando também a antessala da biblioteca. E, ali, amigos se reencontraram, como Igor Fagundes e Victor Colonna. Findo o evento, uma turma – Tchello de Barros e Mariângela Bazbuz, entre eles – tratou de esticar no Amarelinho, o tradicional botequim da Cinelândia.

Esses poetas são mesmo animados, não?

Créditos: Christovam de Chevalier (texto e imagens)

O poeta (ao centro) com Victor Colonna, Alexandre Brandão, Jorge Ventura e Paulo Reis
Tanussi entre Angel Cabezza e Mariângela Bazbuz

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