‘É sutil e muito forte’

julho 9, 2026

Ignácio de Loyola Brandão tem sua trajetória contada em filme pela ótica do filho, o fotógrafo André Brandão

Ele é um de nossos mais importantes escritores. E, certamente, ouviu muitas vezes que esse ou aquele de seus livros dariam um filme. O que talvez Ignácio de Loyola Brandão não imaginasse é que sua própria vida deu. “Não sei viver sem palavras” é dirigido pelo filho do escritor, André Brandão, e chega às salas de cinema no dia 30 deste mês, após ter sido aplaudido no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo.

— O filme é muito caseiro, feito a poucas mãos. Fizemos oito entrevistas de duas a três horas cada, principalmente na casa dele, mas também no bairro da Praça Roosevelt, onde morou por dez anos quando chegou em São Paulo, na biblioteca municipal e na estação de trem de Araraquara, lugares importantes na história dele – pontua André, que migrou para o audiovisual em 2015 após décadas atuando como fotógrafo.

A ideia para o filme surgiu nos primeiros anos da pandemia, quando pai e filho voltaram a morar juntos. Ali, André passou a registrar o cotidiano dos dois. O plano ganhou de fato vulto quando André se deparou com imagens, como a do seu próprio nascimento, feitas pelo pai em uma super-8. O acervo estava guardado num cômodo anexo ao escritório do hoje imortal, onde outros itens como cartas e recortes de jornais estão meticulosamente preservados, como André conta:

— Durante a pesquisa para o filme, encontrei também muitas cartas que ele me escreveu quando eu morei fora do Brasil, entre 1991-1997. Esse material acabou entrando como falas, na minha voz e na voz dele.

Um dos achados é os originais do conto “A montanha Mágica – O nascimento de André”. O texto foi escrito nos primeiros dias de vida do rebento. O precioso acervo do pai, cuidadosamente preservado, faz com que ele seja coautor do filme, coproduzido por ele juntamente com a Prosperidade Content.

— Sinto que esse filme é também de fato um pouco dele. O fato de que ele sempre quis fazer um filme, mas nunca fez e, agora, além de personagem, ele também filmou uma parte importante do material (em Super-8), e o texto é inteiro dele, sejam as entrevistas ou os trechos de livros. Tudo isso faz com que esse filme seja também em parte dele – pontua o diretor.

Em se tratando de um retrato tão íntimo, André fez questão de ter na equipe pessoas próximas ou da sua inteira confiança. Uma delas é Ricardo Carioba, com quem divide a direção. O mesmo pode ser dito sobre os roteiristas André Collazzo e Vivian Brito.

André e o escritor sempre tiveram uma relação próxima. Ele vê, portanto, com naturalidade o fato de o pai ser o personagem central deste que é seu primeiro longa.

— É um pouco uma simbiose, uma passagem de bastão, é o meu primeiro filme, uma releitura da vida e da obra dele partindo de textos e algumas imagens dele, mas com o meu ponto de vista. É algo sutil e muito forte ao mesmo tempo – arremata.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagem)

 

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