‘O afeto vai para os personagens’

junho 25, 2026

Alessandra Verney brilha em ‘Victor ou Victoria’ e celebra o legado de Julie Andrews e a parceria com Miguel Falabella

Se há hoje no Brasil uma indústria consolidada na realização de musicais, Alessandra Verney é peça-chave nesta bem-sucedida engrenagem. E há muito tempo. Cantriz das mais talentosas neste segmento, ela construiu uma carreira que faz dela uma referência. E dá, mais uma vez, provas disso em “Victor ou Victoria”, cuja temporada despede-se este fim de semana do Rio de Janeiro.

Na versão brasileira do musical, Verney é Victoria Grant, a cantora que assume uma identidade masculina para poder trabalhar na Paris dos anos 1930. E a brasileira não fica a dever em nada àquela que eternizou o papel no cinema: Julie Andrews. Foi assistindo à diva britânica no filme que Verney teve seu primeiro arrebatamento pela comédia-musical, escrita e dirigida originalmente por Blake Edwards (1922-2010)

—  A paixão pelo filme nasceu em mim quando era ainda criança. E lembro de, anos depois, ficar encantada ao saber que ele havia sido transformado num musical – revela a cantriz ao NEW MAG, explicando ainda o porquê de não ter assistido, em 1995, ao musical, também estrelado por Julie: — Assistir a musicais ainda era um sonho distante, e eu sequer imaginava que teria uma carreira em teatro musical. Estava, na época, focada na faculdade e na carreira de cantora, morando no Sul ainda.

Victoria Grant ou sua versão masculina, o conde Victor Grazinski, são um prato cheio para a atriz – e Verney tem plena ciência disso. A preparação foi rápida e o fascínio sobrepôs-se a uma possível intimidação em razão do peso da responsabilidade.

— A complexidade da personagem impõe respeito. Afinal, ela transita entre diferentes identidades ao longo da estória, e isso me fascinou mais do que me intimidou. Como atriz, é um privilégio interpretar uma personagem com tantas camadas. Então, mergulhei de cabeça no projeto. Foi um processo desafiador, muito rápido, mas estimulante e muito rico, tanto artisticamente quanto pessoalmente – celebra a artista cujo trabalho tem a assinatura indelével da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, sob a chancela dos quais a atriz deu, lá atrás, seus primeiros passos nos musicais.

Outro parceiro que Alessandra tem a alegria de reencontrar no projeto é Miguel Falabella. O ator é responsável, juntamente com Maria Clara Gueiros, pelos momentos mais divertidos da montagem. Verney e ele haviam trabalhado juntos em “Alô, Dolly” (2012), no qual tiveram ainda o brilho de Marília Pêra (1943-2015), e, 11 anos depois,  em “Kiss me, Kate – O beijo da Megera”.  A generosidade do parceiro é um dos pontos destacados pela atriz:

—Em “Kiss me, Kate” éramos um casal e, agora, estamos no palco como melhores amigos.  Contracenar com ele é sempre um presente imenso. Miguel é muito generoso e acho que o afeto que temos um pelo outro também vai para os personagens, pois existe muita cumplicidade. É um sonho vê-lo como Toddy!

Um sonho possível agora à atriz, detentora dos direitos da encenação. Aclamada ao fim de cada sessão, Verney é reverente à interpretação de Julie Andrews, sem desmerecer as qualidades da sua criação.

— Acho impossível dissociar Victoria de Julie Andrews. A elegância, o humor e o carisma que ela trouxe à personagem fazem parte da essência dessa obra. Mas toda interpretação carrega também algo de quem a vive. Minha Victoria tem a determinação, a paixão e a disposição para se reinventar e essas características são muito minhas – arremata.

E ficam evidentes a cada apresentação. Brava!

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e João Mario Nunes (imagem)

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