Celebrar o presente sem esquecer o passado. Foi com esse espírito que o Prêmio APTR de Teatro realizou sua 20ª edição. E homenageou, merecidamente, verdadeiros patrimônios das artes cênicas como os atores Arlete Salles, Stepan Nercessian e Guida Vianna, além de o Grupo Galpão. A cerimônia também premiou algumas das principais produções do ano passado e reuniu artistas de diferentes gerações.
A premiação aconteceu na noite da última terça-feira (16), no Teatro Riachuelo, Centro do Rio de Janeiro. Marcaram presenças nomes como Mel Lisboa, Taís Araujo, Antonio Pitanga e Maria Pompeu. A apresentação do evento ficou por conta de Armando Babaioff, Luana Xavier e Valéria Barcellos.
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a entrega inaugural do Troféu Camilla Amado para Guida Vianna, em reconhecimento aos seus 50 anos de carreira. A honraria foi criada para destacar artistas que também desempenham papel importante na formação de novas gerações. Professora há quatro décadas, Guida ajudou a formar inúmeros atores em sua trajetória no Tablado.
Já o tradicional Troféu Marília Pêra foi entregue por Marieta Severo ao Grupo Galpão, em reconhecimento aos 44 anos de trajetória da companhia e à sua contribuição para o desenvolvimento e a renovação do teatro brasileiro.
Entre os vencedores, o grande destaque foi “Torto arado – O musical”, adaptação da obra de Itamar Vieira Junior, que conquistou três troféus e terminou a noite como a produção mais premiada. Também foram reconhecidos espetáculos como “O céu da língua”, de Gregorio Duvivier e Luciana Paes, vencedor em Dramaturgia, além de “(Um) ensaio sobre a cegueira”, do Grupo Galpão.
Na categoria Melhor Espetáculo Adulto, houve empate entre “Como nos livros” e “Torto arado – O musical”. Já entre as produções infantis, dividiram o prêmio “Antes de qualquer coisa” e “Do que são feitas as estrelas?”.
O prêmio de Melhor Ator em Papel Protagonista ficou com Alan Rocha (“Martinho, coração de rei – O musical”), enquanto Carolina Virgüez venceu como Melhor Atriz em Papel Protagonista (“Veias abertas 60 30 15 seg”).
Já Sylvia Massari foi laureada como Melhor Atriz em Papel Coadjuvante (“Chatô e os Diários Associados – 100 anos de paixão”). A atriz emocionou a plateia ao dedicar o prêmio ao marido, o produtor musical Guto Graça Mello (1948-2026), que morreu recentemente. O momento foi um dos mais tocantes da cerimônia.
Outro destaque da noite foi a vitória de Milla Fernandez, que recebeu o Troféu Manoela Pinto Guimarães de Jovem Talento (“TIP – Antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo”). O prêmio foi recebido por seu pai, Raul Gazolla, que arrancou aplausos ao afirmar que a filha já é melhor atriz do que ele e lembrar, com bom humor, que nunca conquistou uma premiação semelhante.
O produtor Rafael Raposo também foi laureado. Ele levou o prêmio especial por sua atuação na gestão, revitalização e criação do Cabaré do Teatro Gláucio Gill.
Encerrando a celebração em clima de festa, artistas e músicos apresentaram um grande medley com canções de musicais brasileiros montados ao longo dos últimos 20 anos. O número revisitou espetáculos inspirados nas trajetórias de Cássia Eller (1962-2001), Cazuza (1958-1990) e Tim Maia (1942-1998).
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Cristina Granato (imagens)


























