O homem é o lobo do homem. A afirmação atravessa séculos desde que foi cunhada por Plauto na antiguidade. Em se tratando de Bernardo Lobo, um dos mais brilhantes compositores da nova MPB, ele é o lobo do lobo. Lobo por lobo, melhor dizendo. Este é o título do show que o artista faz no Rio de Janeiro este mês e que marcará o reencontro no palco dele com seu pai, Edu Lobo, o mais importante compositor brasileiro depois de Tom Jobim (1927-1994).
Bena e o pai voltam a cantar juntos em “Lobo por lobo”, show que o herdeiro musical apresenta no dia 30 deste mês no Terças no Ipanema, projeto capitaneado por Kati Almeida Braga e por Flávia Souza Lima e que voltou a promover apresentações musicais no Ipanema, rebatizado de Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa.
Edu e Bernardo dividiram o palco pela última vez em 2022, em Lisboa, e o show no Rio quebra para os fãs cariocas um hiato de 13 anos se considerarmos a noite da gravação do CD e DVD “Edu 70”, quando pai e filho uniram seus timbres em “Vento bravo” no Theatro Municipal.
— Meu pai é uma referência para mim, como músico e como pessoa. Sou filho da canção brasileira e não quero me afastar nunca dela – pontua Bena que, no caso, é filho de peixe com uma sereia: sua mãe é a cantora Wanda Sá, uma das mais importantes vozes da bossa nova desde o lançamento de “Vagamente”, seu álbum de estreia.
E longe de soar exagerada a declaração de que o jovem artista é “filho da canção brasileira”. Benardo perpetua com sua arte um legado iniciado por seu avô, Fernando Lobo (1915-1996), de quem ele escolheu “Zum-zum” e “Chuvas de verão” para o show no Rio.
Ambas juntam-se a temas de Edu. “Reza”, “Ponteio”, “Choro bandido” e “Ciranda da bailarina”, estas duas parcerias com Chico Buarque, estão entre as pérolas garimpadas por Bena para o show, que terá ainda a participação de Zé Renato e será registrado pela gravadora Biscoito Fino para lançamento futuro.
É provável que Bernardo apresente (tomara) canções da própria lavra. Selecioná-las será, aliás, uma escolha de Sofia, uma vez que seu cancioneiro traz parcerias com alguns de seus ídolos. Ivan Lins, Joyce Moreno e Nelson Motta estão entre os parceiros de Bernardo na musica. E isso só mostra que ele tem seu próprio lugar no segmento.
E ele faz jus à nobre alcateia da qual saiu.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Arthur Rangel (imagem)





