Danadinhos danados

maio 31, 2026

Mart’nália e Martinho da Vila estreiam no Rio de Janeiro turnê na qual unem afinidades pelo viés do afeto

Se, como reza a letra do célebre samba, “Batuque na cozinha/ Sinhá não qué”, mudemos então o cenário para o palco. E, ali, o público queria – e muito. Afinal se tratava do encontro de dois bambas nesta que é a primeira grande turnê que fazem juntos. “Martinho e Mart’nália – Pai e Filha” fez sua estreia nacional pelo Rio de Janeiro, onde, na noite do último sábado (30), a dupla colocou a plateia que lotava o Vivo Rio para cantar, cantar, minha gente – e do começo ao fim.

E foi ao som da supracitada “Batuque na cozinha” que Martinho da Vila fez sua entrada triunfal em cena, onde já o esperava Mart’nália, a quem coube abrir a noite com sucessos como “Cabide” (Ana Carolina/Totonho Villeroy) e “Pra que chorar” (Baden Powell/Vinicius de Moraes).

Não é de fato a primeira vez que pai e filha dividem o palco. Vale lembrar que, por anos, a cantora e sua irmã Analimar trabalharam como backing vocals de Martinho. Isso até Mart’nália passar a voar solo a partir de “Pé do meu samba”, seu segundo álbum como intérprete. Isso, é claro, não impediu que a cantora participasse de shows do patriarca.

O mérito de “Martinho e Mart’nália – Pai e Filha” está no fato de colocar pela primeira vez os dois talentos em pé de igualdade no palco – e nesta que pretende-se a última grande turnê de Martinho, que não está se aposentando dos palcos. E esse pé de igualdade, digamos assim, estabeleceu-se em números como a sempre tocante “Quem é do mar não enjoa” e “O teu chamego”.

Chamego de fato não faltou nesse encontro. E, num breve momento, um leve puxão de orelha da filha no pai. O motivo teve a ver com uma das muitas obras-primas compostas por Martinho: “Tom maior”. O tema, provocado pelo nascimento de Martinho Antônio, fez a irmã-cantora do rapaz externar um leve ciúme que sentia da homenagem:

— Pô, essa eu queria pra mim.

O pito demonstrava que Martinho e Mart’nália estavam mesmo em casa. E em perfeita sintonia, diga-se. Quando unem seus timbres e talentos, confirmam o anseio acalentado pelo compositor na supracitada canção. Martinho e Mart’nália trazem a felicidade de vermos um Brasil melhor.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Patrick Gomes (imagem)

Posts recentes

Tela democrática

Lula reúne personalidades em lançamento de plataforma e NEW MAG revela detalhe sobre o gosto pessoal do presidente

Do luto à leveza

O cantor e poeta Paulo Tomaz lança livro com textos inspirados pela desilusão e pelo reencontro amorosos